Brasília - A Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, disse nesta quarta (20), que havia "clamor" de sociedades médicas, parlamentares e população por um posicionamento da pasta sobre a cloroquina. A nova orientação do ministério para uso precoce dos medicamentos a pacientes de Covid, no entanto, contraria posicionamento de entidades científicas do País e Exterior.
Na terça-feira, três entidades nacionais aprovaram documento com diretrizes para o enfrentamento da pandemia no qual recomendam que as drogas não sejam usadas como tratamento de rotina da doença. As entidades são a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Sociedade Brasileira de Infectologia e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que a cloroquina e a hidroxicloroquina sejam usadas apenas em estudos clínicos contra o novo coronavírus, dentro de hospitais (leia na página 17). Em entrevista à imprensa, o secretário-executivo adjunto da Saúde, Élcio Franco, rebateu a posição da OMS. "Se esperarmos que sejam seguidos todos os passos, já vai ter acabado a epidemia e milhares de pessoas morreram", afirmou.
Mayra Pinheiro ainda declarou que a "observação clínica" mostra resultados promissores em diversos pacientes. A posição não é a mesma da comunidade científica. Pinheiro reconheceu que a orientação não é protocolo de diretrizes terapêuticas, ou seja, não tem poder de forçar que estabelecimentos do SUS sigam o tratamento.
Ela afirmou, no entanto, que a recomendação deve reduzir desigualdades no atendimento de pacientes do SUS e rede privada. A secretária disse que, sob a nova orientação, o governo deve ampliar a distribuição de cloroquina ao SUS. Até agora cerca de 2,93 milhões de comprimidos foram entregues para uso de 163,86 mil pacientes da Covid.