10 de julho de 2026
Geral

Senai conserta respiradores para hospitais

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos equipamentos mais importantes para tratar pacientes graves de Covid-19, o respirador está em falta no mercado, justamente, por causa da alta demanda. Diante deste cenário, o Senai São Paulo resolveu consertar, gratuitamente, os aparelhos em desuso pelos hospitais públicos de todo o Estado de São Paulo. Até o momento, Bauru já recebeu 11 respiradores reparados, sendo seis da rede municipal de urgência e o restante do Hospital Estadual, cuja expectativa é acolher outros três equipamentos do tipo dentro dos próximos dias.

Diretor do Senai Bauru, Ademir Redondo explica que a iniciativa partiu da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "As 92 escolas do Senai, espalhadas por todo o território paulista, se incumbiram de contatar os municípios e hospitais das suas respectivas regiões para oferecer o serviço", acrescenta.

O Senai Bauru, segundo ele, atende 24 cidades. "Nós tivemos demanda em Bauru e Lins, considerados os grandes centros de tratamento para o novo coronavírus da nossa região", observa.

Ainda de acordo com Ademir, 20 respiradores com defeito - oito do Estadual, seis da Secretaria de Saúde de Bauru e seis da Santa Casa de Lins - já foram encaminhados ao Senai Mariano Ferraz, na Vila Leopoldina, em São Paulo, que oferece o Curso de Operação e Manutenção de Equipamentos Hospitalares.

Por enquanto, a instituição entregou 15 aparelhos - cinco do Estadual, seis da Secretaria de Saúde de Bauru e quatro da Santa Casa de Lins - desde o final de abril. Oito deles foram devolvidos na última terça-feira (19).

O diretor do Senai Bauru informa que a unidade da Vila Leopoldina conta com 20 voluntários, entre técnicos e estudantes. "Tudo é gratuito. Inclusive, buscamos peças de reposição junto aos nossos fornecedores. Nós compramos ou, muitas vezes, firmamos parcerias. O próprio Senai também produz alguns itens. Enfim, trabalhamos com uma diversidade de possibilidades econômicas, garantindo a qualidade", defende.

Ademir pontua que a maior parte dos problemas destes aparelhos envolve a queima de alguma peça do circuito eletrônico. "Depois do conserto, nós executamos a calibração, submetendo os produtos aos padrões de fábrica para verificar se respondem no mesmo nível. Em caso negativo, eles retornam para a manutenção ou nós descartamos a possibilidade de uso. Por sorte, na nossa região, não tivemos qualquer rejeição", argumenta.

O diretor do Senai Bauru reforça que a iniciativa não terminará enquanto houver alta demanda por respiradores.

IMPACTO

Diretor do Departamento de Urgência e UPAs, órgão vinculado à Secretaria de Saúde de Bauru, Paulo Pepulim Bastos alega que os problemas técnicos dos ventiladores enviados ao Senai exigia mão de obra especializada para a sua correção.

Segundo ele, os respiradores precisam de manutenção frequente, porque são usados a todo o momento. "Na grande maioria das vezes, nós mesmos conseguimos reparar", frisa.

Agora, a rede municipal de urgência conta com 23 equipamentos do tipo. "Atualmente, 16 deles estão disponíveis para uso, porque deixamos o restante como reserva. Por ora, há duas pessoas em ventilação mecânica no PS Central, mas com outras patologias não relacionadas à Covid", revela.

Paulo reforça que só a rede municipal de urgência abriga respiradores e o número de equipamentos de cada unidade depende da sua necessidade.

Os três aparelhos que chegaram entre o final de abril e início de maio já foram distribuídos às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ao Pronto-Socorro Central (PSC) e ao Posto Avançado Covid-19 (PAC). Já os outros três ventiladores, entregues na terça-feira (19), seguirão para o PAC, bem como para as UPAs do Geisel e Ipiranga.

Supervisor de Engenharia Clínica do Hospital Estadual, Luciano Marcos da Silva narra que os equipamentos do local ficaram parados em virtude da falta de peças. "A parceria do Senai com várias empresas do ramo de ventilação conseguiu reativar os aparelhos", exalta.

Presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra o HE, Antonio Rugolo Junior afirma que os respiradores que chegaram do Senai já estavam inclusos na conta do total de aparelhos divulgada, anteriormente, pelo hospital: 56. Por enquanto, eles funcionarão como reserva.