09 de julho de 2026
Articulistas

Ventríloquo Weintraub

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Não há, por si só, qualquer problema e muito menos incoerência em um presidente-capitão colocar mais militares no governo. É o que diz pretender. Agora, insistir num ministro da Educação sem educação, aí já vira uma espécie de "novo anormal".

Por ser economista, bem que Abraham Weintraub podia economizar nos insultos. Como Bolsonaro gosta muito da ênfase dos palavrões - e, por isso mesmo, não repreende quem faz igual - , a impressão que fica é a de que alguns auxiliares diretos querem imitá-lo e até superá-lo.

Ser mais Bolsonaro que o próprio foi a desgraça de Weintraub, um persistente sem-etiqueta. A pasta (da Educação!) merecia inquilino minimamente cortês. Ainda mais no ano em que completa 90 anos. A emblemática data será alcançada em 30 de novembro de 2020. Ministério que já teve um Darcy Ribeiro como titular. O Darcy meio louco, apaixonado, muito inovador, nunca deseducado. Darcy, um homem que dá nome a uma universidade estadual no Rio, por ele concebida e fundada.

Mais belicoso do que estudioso, o atual ministro cometeu crime de segurança nacional ao detonar, no vídeo da famosa reunião, os ministros do STF. É o que Claudio Fonteles avaliou, ontem, à CNN. Ele é jurista e ex-procurador geral da República. "Fosse eu, hoje, o procurador, abrir inquérito de imediato".

Lembrando qual foi a fala do ministro (da Educação!): "Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF". O presidente Bolsonaro bem que podia tomar uma atitude saneadora no núcleo do poder, começando por Weintraub.