10 de julho de 2026
Nacional

Por Covid, países 'isolam' o Brasil

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - A falta de estratégia do governo brasileiro para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus faz com que vizinhos e aliados tomem medidas para isolar o País e se proteger do contágio. O governo americano anunciou no domingo (24) a proibição da entrada de viajantes estrangeiros provenientes do Brasil. Entre os vizinhos, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse ver o Brasil como um risco à região, enquanto o Uruguai reforçou controles sanitários na fronteira e o Paraguai tenta conter a entrada de brasileiros.

Preocupado com o avanço da pandemia, o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, esteve em Rivera, cidade que faz fronteira com Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, nesta segunda (25). "Neste momento, Rivera tem uma complexidade distinta de outras zonas", disse Lacalle Pou. Ele evitou críticas à administração de Jair Bolsonaro

Já nos EUA, a intenção de limitar passageiros vindos do Brasil vinha sendo mencionada pelo presidente Donald Trump desde o final de abril. Na sexta, quando a Organização Mundial da Saúde classificou a América do Sul como novo epicentro do vírus, a Casa Branca e o Departamento de Estado americano concordaram em oficializar a restrição.

Trump é considerado o principal aliado internacional do presidente Jair Bolsonaro e tem evitado críticas abertas ao brasileiro, mas deixou claro que não pouparia o País ao dizer que não queria pessoas "entrando e infectando" o povo americano. A restrição passa a valer a partir das 23h59, no horário de Nova York, do dia 28 de maio.

Americanos, no setor público e privado, afirmam que Trump também não foi o melhor líder na condução da crise, ao minimizar o vírus e postergar o início de uma resposta coordenada com os Estados. Ao traçar a comparação com o Brasil, no entanto, analistas apontam que ao menos Trump se mantém fiel ao corpo técnico que o orienta, enquanto Bolsonaro perdeu dois ministros da Saúde em um mês.

A medida de restrição do governo Trump acontece num momento em que os dois países negociam novo acordo comercial, que não deve envolver mudanças de tarifas. O encarregado de negócios da Embaixada do Brasil nos EUA, Nestor Forster, diz que até o fim do ano é possível fechar um pacote de facilitação de negócios.

Questionado sobre a medida dos EUA de barrar os estrangeiros com passagem recente pelo Brasil, o Palácio do Planalto não se manifestou. Em mensagem no Twitter, o assessor especial da presidência, Filipe Martins, afirmou que a decisão tomada por Donald Trump não é nada específico contra o Brasil.

A pressão para que os EUA adotassem restrições à chegada de brasileiros cresceu na última semana, quando a situação no Brasil se agravou. O Brasil é considerado novo epicentro da pandemia, enquanto os EUA caminham para um processo de reabertura econômica.