São Paulo - O secretário da Fazenda e do Planejamento do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles, disse que o governo estadual "não está para anunciar" uma reabertura da economia na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo ele, o que há, por enquanto, é o plano de iniciar uma reabertura gradual no Interior de São Paulo a partir do dia 1 de junho.
"Vamos começar pelo oeste do Estado, em cidades com menor densidade e maior capacidade de atendimento hospitalar. Na região metropolitana, a reabertura vai depender da evolução dos casos e da capacidade hospitalar", disse o secretário, que afirmou que o preenchimento dos leitos na região metropolitana é de 91%, "um número preocupante".
Meirelles disse também que a reabertura da economia, no Interior, não será igual para todos os setores. "Estamos com grupos de trabalho que estão desenvolvendo protocolos para cada setor", afirmou o secretário.
QUEDA NO PIB
O secretário afirmou ainda que trabalha com um cenário no qual o PIB brasileiro terá queda de 7% em 2020, maior que a estimada pela mediana das previsões do boletim Focus, de 5,89%. Segundo ele, o Estado de São Paulo deverá ter retração semelhante, com recuo esperado de 30% na arrecadação de impostos em maio e junho.
"Esperamos que a recuperação da economia tenha início até o fim do ano, mas só vamos atingir mais à frente o nível de atividade que estávamos antes da crise, o que vai depender da velocidade da recuperação, que é pouco previsível, por causa da pandemia", disse o secretário, que foi presidente do Banco Central nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministro da Fazenda na gestão de Michel Temer (MDB).
Meirelles afirmou ainda que, diante da perda de 30% prevista na arrecadação de São Paulo entre maio e junho, o projeto de socorro emergencial do governo federal evita o déficit de caixa do Estado. "Isso alivia um pouco a situação, mas evita o déficit de caixa. Não resolve o problema. Então, o Estado, de fato, tem que fazer controle rígido de despesas e da arrecadação", afirmou Meirelles, ao comentar o socorro de R$ 60 bilhões que a União deve liberar a Estados e municípios.