10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

É necessário se opor ao presidente Bolsonaro!

Por Estela Almagro - Advogada, secretária de Assuntos Institucionais do PT, ex-vice-prefeita de Bauru 2009 | 2016
| Tempo de leitura: 3 min

No último domingo vimos neste espaço opinião de um operador do direito sobre o cenário politico nacional. Li afirmações que a meu ver não poderiam ser menos assertivas! Nostálgica, reli o bilhete de suicídio de Migliaccio, que deu cabo da própria vida há poucos dias, desencantado que estava com o cenário que nos rodeia "a humanidade não deu certo", na tristeza de seus minutos derradeiros. Tivesse eu um único lapso com ele antes do festo extremo, diria "nenhuma bandeira está perdida, se houver quem lute por ela". Estamos aqui, resistiremos. Frente ao avanço genocida do fascismo tupiniquim e da propagação da ignorância. Derrotaremos esse processo nacional de idiotização coletiva e banalização do conhecimento, que rebaixa a política.

Não, Bolsonaro não é o nosso presidente. Esta aí, inequívoca, a CPI das FakeNews e do financiamento milionário para manipulação da opinião pública em primeiro e segundo turnos. A mais alta Corte já não se nega a apreciação desta ação criminosa que maculou as eleições de 2018. O cenário nacional demonstraria mesmo flagrante tentativa de golpe, idealizado por esquerdistas imprensa ( esquerdista?) artistas (esquerdistas?) congressistas? Nenhuma afirmação poderia faltar tanto com a verdade. A grande imprensa é formada majoritariamente por clãs familiares empresariais que historicamente soma com a direita nacional, combate opções e governos de esquerda e flertou e patrocinou o Palmito que somente depois revelou-se um tiro no pé! O diga a ABI. A classe artística ressente-se da direita que apoiou a ditadura sem constrangimento, cerceando direitos, liberdade de expressão, prendendo, torturando, matando e levando ao exílio os que ousaram cantar, representar ou tocar a liberdade. Isso não os faz esquerdistas, mas cidadãos no livre exercício da consciência crítica.

Governo ético, honesto e econômico com os gastos públicos? Vou resumir a ética da familícia em uma palavra: rachadinha. Mas para se falar em ética, basta visitar as articulações recentes de Bolsonaro com o Centrão. Estaremos emprestando novo conceito ao termo? Agora, de indignar mesmo: falar demais, ser ríspido, é passar pano para o presidente. Ignorante, truculento, estúpido, preconceituoso, o definem melhor. Mas afirmar que este é o retrato do povo brasileiro? Francamente. Sou filha de uma mulher negra, doméstica, semialfabetizada e de um trabalhador rural que juntos criaram 9 filhos: garanto que nem em churrascos com a família toda reunida, regado a cerveja, se dizia um décimo dos palavrões e termos chulos e desrespeitosos proferidos numa reunião do Palmito com seus Ministros! Um festival de escatologia! Nem uma palavra sobre Covid-19.

Lula pode errar na colocação de erres e esses e na conjugação dos verbos, mas nunca antes na história desse país se investiu tanto em novas universidades públicas e se destinou tanto recurso para a educação, como em seu governo. Rotulá-lo por curtir uma cachacinha como muitos trabalhadores brasileiros, é tentativa preconceituosa de desmerecê-lo: é menos cachaceiro quem se alcooliza com whisky nos intramuros de condomínios de luxo? Puro ódio de classe. O debate aqui é sobre respeito e responsabilidade frente a temas e desafios nacionais.

Sim. A resposta é simples, não há mesmo comperação entre os governos Lula e Bolsonaro. Basta apreciar números e resultados em quaisquer áreas que se busque comparar. E, sim, a análise está equivocada, para dizer o mínimo. Erro contumaz de quem se opõe à esquerda: tentar demonizá-la. E ofereceram Bolsonaro como alternativa ética, desenvolvimentista e anticorrupção. Nada mais enganador.

Defesa da legalidade? O cara exalta o Golpe de Estado; defende ruptura da democracia, ataca o Supremo e manipula a PF! Oportunismo de ocasião e ética de oportunidade definem melhor o inquilino provisório do Alvorada.

A última pesquisa mostrou rejeição histórica a Bolsonaro: é a retomada do bom senso comum, concluindo que opor-se a um partido não pode ser sinônimo de entregar o País a alguém tão despreparado e, como bem o definiu Merval Pereira esta semana "um personagem escatológico e com fixação anal".

Pena Migliaccio não estar entre nós para ver que toda regra comporta exceção. A humanidade tem jeito sim. #ForaBolsonaro #QueroMeuPaísDeVolta