11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Incerteza em relação ao futuro leva empresários à exaustão

Carolina Muniz
| Tempo de leitura: 3 min

Na pandemia, a preocupação com a sobrevivência da empresa e o aumento do volume de trabalho na busca por soluções têm levado os empresários à exaustão. Mesmo em condições normais, o empreendedor já está muito suscetível ao esgotamento, porque se sente totalmente responsável pelo sucesso do negócio, afirma Maria da Conceição Uvaldo, pesquisadora do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo). "Agora, o nível de angústia aumentou. É a ansiedade de não saber o futuro e ficar pensando 24 horas por dia em como resolver tudo, e isso causa um desgaste emocional enorme", diz a psicóloga. O empresário João Mendes de Oliveira, 27 anos, chegou a trabalhar 18 horas por dia para buscar novos caminhos para a sua recém-aberta startup, fundada em parceria com o chef Raphael Despirite, 35 anos.

A Suflex, que oferece soluções de gestão a bares e restaurantes, funcionou por apenas uma semana, até que fosse decretada a quarentena no estado de São Paulo, em 23 de março. Foram realizadas cinco vendas, e outras estavam em processo de negociação. Ficou tudo em suspenso. "A primeira sensação foi de frustração, de não saber se o projeto iria conseguir passar por este momento. A segunda foi uma ansiedade de não querer ficar parado", afirma.

Neste período, a empresa organizou uma iniciativa de venda de vouchers de restaurantes e lançou uma plataforma para conectar empresários do setor a fintechs. João pensava em criar outros três projetos. "Ao conversar com investidores e com a minha terapeuta, vi que estava preenchendo uma vontade minha de fazer alguma coisa em vez de focar no que traria benefícios à empresa."

Além das preocupações relacionadas ao negócio, empresárias relatam uma sobrecarga de tarefas domésticas, intensificadas pelo confinamento. Isso eleva ainda mais o nível de estresse, diz Ana Fontes, idealizadora da Rede Mulher Empreendedora, plataforma que reúne 750 mil mulheres. "O que eu mais tenho ouvido delas é que não estão conseguindo lidar com a situação como um todo", afirma.

Há dias, a empresária Teomila Veloso, 33 anos, não tem conseguido dormir direito. "O meu corpo para, mas a minha mente continua trabalhando." Há sete anos, ela comanda o Point do Acarajé da Mila, que começou como uma barraca de rua e hoje funciona em um trailer em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O negócio está operando apenas por delivery. Para atrair mais clientes, Teomila cria promoções. Mas, só agora, as vendas chegaram à metade do volume normal. "Não sei se vou conseguir pagar as contas. Tenho o trailer para tocar e, com as meninas em casa, fica mais difícil ainda", diz Teomila, cujas filhas tem 7 e 16 anos. Ela só conseguiu se acalmar um pouco depois que ligou para empresários para pedir conselhos.

Neste momento, conectar-se a outros empreendedores é fundamental, diz Ana Fontes. "Normalmente, empreender é um ato muito solitário. Ao se juntar a quem está passando pela mesma situação, a gente sente um conforto e ganha motivação" afirma. E, dessa união, podem ainda surgir parcerias e novas ideias para ajudar superar as dificuldades deste período.