O primeiro dia de reabertura do comércio de rua em Bauru, nesta segunda-feira (1), foi marcado por intensa movimentação de pessoas na região central da cidade. No Calçadão da Batista de Carvalho e transversais, bem como na avenida Rodrigues Alves e rua Primeiro de Agosto, a circulação de clientes, incluindo famílias inteiras, foi registrada ao longo de todo o dia.
As lojas abriram às 10h e, até o fechamento, às 16h, as quadras do Calçadão seguiram tomadas de gente. A maioria utilizava máscara de proteção contra a Covid-19, mas um número considerável abriu mão do acessório ou o utilizou, por vezes, cobrindo apenas o queixo.
O grande movimento - semelhante aos registrados em véspera de datas comemorativas, como o Natal - foi comemorado pelos comerciantes. Mas, entre eles, teve também quem demonstrasse preocupação, já que a falta de cuidados de parte da população para minimizar o risco de transmissão da doença pode fazer com que o volume de casos cresça na cidade.
"Nosso maior medo é que o comércio seja fechado novamente. Ficamos 70 dias sem trabalhar, vendendo apenas por delivery ou retirada na porta, e sabemos o quanto foi difícil", comenta Adileusa Gonçalves, gerente de uma loja de cosméticos localizada na Batista.
Ela conta que a grande procura por produtos de beleza e de higiene pessoal fez com que o estabelecimento - que tem autorização para receber apenas 16 pessoas por vez - registrasse fila na porta durante as seis horas de funcionamento. "Fizemos marcações no chão para que os clientes fiquem a uma distância mínima um dos outros, mas nem todo mundo respeita. Precisamos ficar alertando o tempo todo", detalha.
RESISTÊNCIA
Servidores da Secretaria Municipal da Saúde e representantes do Fundo Social de Solidariedade fizeram uma ação orientadora ao longo do dia nas quadras do Calçadão, que incluiu a distribuição gratuita de máscaras para pessoas que não estavam usando o acessório.
Conforme a reportagem pôde acompanhar, alguns consumidores informaram ter guardado a máscara no carro, no bolso ou na bolsa, enquanto outros resistiram à abordagem e sequer responderam à equipe que tentava oferecer ajuda. Ao todo, segundo a prefeitura, foram distribuídas 4,5 mil máscaras, além de aproximadamente 400 frascos de álcool em gel.
Servidores da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) também trabalharam no sentido de orientar os estabelecimentos sobre as regras de atendimento ao público e alertá-los sobre eventuais adequações necessárias. De acordo com a titular da pasta, Letícia Kirchner, as lojas que apresentarem irregularidades não serão autuadas neste primeiro momento.
Presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Sampaio avaliou como "natural" a intensa movimentação de pessoas na região central de Bauru, após 70 dias de comércio paralisado. "As pessoas ficaram muito tempo presas em suas casas e tinham curiosidade em ver como seria a retomada, além de fazer compras. Dentro das lojas, o movimento ocorreu dentro do que foi estabelecido por decreto. Acredito que, aos poucos, a circulação fora das lojas também será normalizada", analisa.
Diferentemente da região central, as áreas de comércio de bairros localizados nas regiões periféricas de Bauru registrou movimento dentro da normalidade para uma segunda-feira. A reportagem do JC percorreu diversos pontos da cidade, mas, em alguns locais, observou pequenas aglomerações em praças de pessoas que não utilizavam máscara.