Pequim - Na primeira reação oficial à ameaça de Donald Trump de retaliar a nova lei de segurança para Hong Kong, a China atacou o que considera uma contradição dos americanos ao tratar manifestações de rua.
"Por que os EUA glorificam as ditas forças pró-independência de Hong Kong como heroicas, mas chamam manifestantes desapontados com o racismo no seu país de arruaceiros?", questionou Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
Os EUA vivem desde semana passada uma onda de protestos decorrentes da morte do negro George Floyd, sufocado por um policial branco. Trump teve de se esconder no bunker da Casa Branca no fim de semana, e toque de recolher está em vigor em diversos estados.
A dura afirmação chinesa aponta um caminho ainda não testado na disputa geopolítica que envolve as duas maiores economias do mundo: o questionamento do "soft power", o poder brando que emana de valores culturais, uma arma americana em uso há décadas.
Zhao falava sobre a reação de Pequim à decisão americana de limitar a entrada de cidadãos chineses e encerrar os privilégios comerciais concedidos a Hong Kong - por onde passam 65% dos investimentos feitos pela China e aplicados no país.
"Toda declaração ou ação que prejudique os interesses da China encontrará um firme contra-ataque", disse o porta-voz.