Bruxelas - "Exigimos respeito. Se alguém acha que pode nos tratar como leprosos, saiba que não vamos ficar quietos. Paciência tem limite", desabafou Luigi di Maio, ministro das Relações Exteriores da Itália, em uma conta de rede social, nesta quarta-feira (3).
A irritação é resposta a barreiras crescentes que países vizinhos estão criando para quem chega de locais mais atingidos pela pandemia de coronavírus.
Primeiro país a decretar uma quarentena ampla, no começo de março, a Itália reabriu nesta semana suas fronteiras para viajantes europeus, mas está sendo incluída nas listas vermelhas e laranjas de alguns países, como Áustria, Eslovênia, Suíça, Croácia e República Tcheca.
Até a Espanha, que já esteve entre os países mais afetados, mas vem registrando números baixos de contágio e mortes, afirmou que abrirá "gradualmente" suas fronteiras a turistas europeus.
Di Maio pediu uma resposta da União Europeia em defesa do espírito europeu. A Comissão Europeia (o Poder Executivo da UE), porém, já afirmou que aceita restrições baseadas em "perfis epidemiológicos semelhantes".
O bloco vem se reunindo sobre a reabertura das fronteiras, mas a coordenação ainda não costurada já está sendo atropelada por iniciativas individuais dos países.
A Croácia já abriu suas fronteiras para 10 países europeus, mas não para a Itália, que também ficará de fora, nesta quinta (4), da reabertura da Áustria para oito vizinhos.