10 de julho de 2026
Internacional

Polícia nos EUA reprime manifestações

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - No 11o. dia seguido de protestos antirracistas nos EUA, a Polícia de Buffalo, cidade do Estado de Nova York, nos EUA suspendeu dois policiais depois que um vídeo de truculência viralizou ontem nas redes sociais durante protestos contra o racismo após a morte de George Floyd. Nas imagens, os oficiais aparecem empurrando um homem de 75 anos, que na sequência bate a cabeça na calçada e é filmado com a cabeça sangrando.. O vídeo rapidamente se tornou viral nas mídias sociais, provocando indignação. A polícia de Buffalo disse inicialmente em um comunicado que uma pessoa "ficou ferida após tropeçar e cair". Depois reconheceu que houve excesso e os policiais envolvidos foram suspensos.

Não é primeiro caso em que os policiais usam de violência para conter os protestos desencadeados após o assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos que morreu em Minneapolis depois que um policial branco pressionou o joelho sobre seu pescoço por quase nove minutos, enquanto ele era segurado contra o chão por outros três agentes.

AÇÕES CONTRA O PRESIDENTE 

A União Americana pelas Liberdades Civis e outras entidades entraram na Justiça nesta sexta-feira (5) contra o presidente americano, Donald Trump, seu secretário de Justiça, William Barr, e autoridades envolvidas na repressão do governo ao protesto próximo à Casa Branca na segunda-feira (1º).

Os autores da ação afirmam que os réus violaram os direitos constitucionais dos manifestantes que são garantidos pelas primeira e quarta emendas à Constituição americana -liberdade de expressão, e veto a detenções e inspeções arbitrárias, respectivamente.

O ato em questão ocorria de forma pacífica em frente à Casa Branca até policiais e agentes da Guarda Nacional começarem a usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão e abrir caminho para Trump.

Antes da dispersão do protesto, Trump fez um duro discurso no qual prometeu restaurar a ordem e ameaçou os estados com a mobilização de militares.

Também figuram como autores da ação alguns manifestantes que foram afetados, o movimento Black Lives Matter (vidas negras importam), o Comitê de Advogados de Washington pelos Direitos Humanos e Assuntos Urbanos, o Comitê dos Advogados pelos Direitos Civis Legais e o escritório de advogados Arnold & Porter.

As entidades pedem que a Justiça proíba os réus de violar novamente esses direitos constitucionais, além de indenização pelos danos causados pelas forças de segurança.

Assédio a jornalistas A União Americana pelas Liberdades Civis (Aclu, na sigla em inglês), ajuizou também uma segunda ação relacionada à atuação das forças de segurança durante atos sobre o assassinato de Floyd, desta vez contra a polícia de Minneapolis.

A organização argumenta que os policiais assediaram e agrediram jornalistas que cobriam os protestos na cidade, violando assim a liberdade de imprensa.

REPÓRTER DETIDO

Um dos episódios de tensão entre membros da imprensa e agentes que mais gerou repercussão envolveu o repórter negro Omar Jimenez, da CNN americana.

Enquanto transmitia atualizações ao vivo sobre os atos, Jimenez foi detido e algemado pela polícia, assim como um produtor e um cinegrafista de sua equipe.

A câmera seguiu gravando, e a cena inteira foi exibida ao vivo durante um telejornal matinal. Jimenez aparece perguntando aos agentes, várias vezes, se eles gostariam que ele fosse para um outro local, mas ninguém responde.

A polícia estadual não ofereceu nenhuma explicação para as detenções.