09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Momento é de priorizar gastos

Isabela Bolzani
| Tempo de leitura: 2 min

Priorizar contas essenciais, pedir descontos e organizar o orçamento para o médio e longo prazo podem ajudar trabalhadores que tiveram seus salários reduzidos ou suspensos com a crise do novo coronavírus.

Para ajudar no corte de despesas, a reportagem organizou dicas com a ajuda de planejadores financeiros e pessoas que já tiveram a renda reduzida. As ações sugeridas começam com a manjada - mas indispensável - lista de despesas e também aquela conferida na conta bancária para saber quanto efetivamente era a renda mensal antes da redução do salário.

Quem teve o salário cortado em 25% tende a ter mais facilidade de ajustar o orçamento: especialistas estimam que gastos essenciais consomem ao redor de 70% do orçamento. Já reduções mais bruscas de salário tornam o ajuste de contas mandatório.

No caso de quem teve redução de 70% ou o contrato suspenso (e passou a receber o valor equivalente do seguro-desemprego, com teto de R$ 1.813), a alternativa é tentar uma renda complementar.

É o que fez Giovanna Lavorato, 31 anos. Arquiteta e ceramista, ela trabalha em um restaurante e teve a jornada e o salário reduzidos em 70%. Ela decidiu reativar a marca artesanal de cerâmicas que já tinha. "Decidi aproveitar esse tempo para colocar mais energia na Girâmica para tentar uma renda extra. Ainda é um pouco experimental, mas estou descobrindo o meu caminho para quando esse período passar, eu já ter uma marca mais madura", afirmou Lavorato.

A planejadora financeira com CFP (Certified Financial Planner) Daniella Rolim recomenda que o negócio seja organizado com profissionalismo, como um plano B. Para isso, todos os custos com o projeto também precisam ser considerados. "É preciso ter lucro, e não uma sobra de dinheiro. É importante detalhar gastos de produção, avaliar possíveis riscos de inadimplência", diz.

Lavorato tomou também uma decisão drástica e entregou o apartamento que alugava sozinha para morar com o namorado. "Precisei cancelar alguns planos e diminuir muito as minhas contas fixas, mas as prioridades mudaram".

O aluguel ou a prestação da casa própria costumam consumir 30% da renda mensal. A opção da arquiteta não serve como regra, e a solução é negociar com locatário ou com o banco a adiamento do pagamento dessa despesa.