Anos 50. Morávamos (meus pais, minha irmã e eu) numa casa popular no cognominado bairro da Bacia do Macuco (Santos-SP). Um bairro pobre. Equivalente ao núcleo residencial do Jardim Redentor. Em frente de nossa casa, morava um jovem de 19 anos, com seus pais.
O pai ganhava irrisória quantia mensal que mal dava para o sustento da família. Dotado de um QI privilegiado, ingressara na Faculdade de Medicina, da Universidade Federal de Curitiba (PR). Seu pai fez das tripas o coração para ver seu filho formado um médico. A cada 30 dias eu, gratuitamente, transformava anotações feitas por ele num caderno comum, em textos datilografados, em máquina de escrever de meu pai em minha casa.
Concluiu seu curso universitário com louvor (notas máximas em todas disciplinas). Com orgulho merecido passou a ostentar no seu alvo avental a insígnia de um caduceu, adotada como um símbolo da medicina, a partir do século 16, na Europa.
Abaixo do caduceu sua progenitora bordou à mão seu nome: Dr. João Batista Melbourne. Infelizmente, meu amigo teve sua brilhante trajetória profissional dizimada por um câncer, aos 40 anos de idade.