Brasília - O número de pedidos de seguro-desemprego subiu 53% em maio deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2019. Foram registradas 960,3 mil solicitações no mês, o que representa um recorde na série histórica (iniciada em 2000).
A informação é do Ministério da Economia, que apresentou nesta terça-feira (9) os dados atualizados do mês. Em maio de 2019, o número foi de 627,8 mil.
O número de maio também tem aumento de 28% em relação a abril de 2020, quando foram registrados 748,5 mil pedidos. Em março, quando começaram as medidas de isolamento que impactaram a atividade econômica, os pedidos alcançaram 536,8 mil.
Os dados do Ministério são atualizados a cada duas semanas e, caso considerada somente a segunda quinzena de maio, há uma queda de 9,6% nos pedidos em relação à primeira metade do mês. Trata-se da primeira diminuição registrada desde o fim de março.
Apesar dessa queda, analistas afirmam que há um intervalo de tempo entre as demissões e os pedidos e que as próximas divulgações devem trazer dados piores.
O economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, afirma que os dados estão defasados de um a dois meses em relação ao Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que traz os números de admissões e desligamentos informados pelas empresas.
"Ou seja, esse movimento observado em maio dos dados de seguro-desemprego são decorrentes em sua maioria do que foi observado em março e abril", afirma Imaizumi. Para os próximos dois meses, ele espera o fechamento líquido de quase 2 milhões de postos formais de trabalho, julho e julho deverão ser piores.
Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV/IBRE, afirma que o quadro aponta para uma piora grave no trabalho formal. "A ordem de grandeza ainda está muito acima do normal para considerar o número da segunda quinzena de maio como um arrefecimento", diz.
De janeiro a maio, o seguro-desemprego já foi pedido por 3,3 milhões de pessoas, uma alta de 12,4% em relação a igual período de 2019.?