Por conta das restrições causadas pela quarentena, crianças e adolescentes passaram a ter maior permanência com pais ou responsáveis. Com isso, os Conselhos Tutelares de Bauru - que continuaram seus trabalhos, ininterruptamente, durante este período - sentiram algumas mudanças nas demandas comuns, principalmente em relação à educação e às denuncias de violência.
Divididos por regiões, os conselhos atuam em faixas distintas da cidade delimitadas por Centro de Referência de Assistência Social (Cras). O Conselho Tutelar 1 atende oito Cras na cidade, responsáveis por regiões como Vila Falcão, Jardim Nicéia, Jardim Europa, Redentor e Geisel, e notou mudanças nas demandas relacionadas à educação.
"As solicitação de vagas para as escolas diminuiu, por conta de elas estarem fechadas. Por outro lado, semanalmente, atendemos pais que estão com dificuldades de pagar as escolas particulares e têm nos procurado para auxílio de transferência para as municipais", conta Casemiro de Abreu Neto, presidente do conselho. "Temos orientado os pais para que não deixem as crianças sem estarem matriculadas, principalmente dos 4 anos em diante", completa.
O conselheiro também destaca que estão monitorando a falta de aulas presenciais por estes últimos três meses. "Estamos acompanhando para ver quais serão as soluções que a Diretoria de Ensino terá a respeito desse período", destaca Neto.
VIOLÊNCIA
Em termos de violência contra crianças e adolescentes, o Conselho 1 afirma que não houve aumento significativo neste sentido, durante a quarentena. Já no Conselho Tutelar 2, que atende os Cras Santa Cândida, Tibiriçá, Godoy, Santa Edwirges, IX de Julho, notou aumento nas denúncias referentes ao tema.
A presidente do Conselho 2, Kelly Silvana Andrade Correia, destaca que muitas crianças e adolescentes estão fora de suas atividades diárias habituais, fazendo com que as famílias tenham uma convivência contínua que pode causar crises e estresses. "Lembrando que existem restrições de alimentos, de refeições que eram desempenhadas por projetos. Em razão de tudo isso, aumentou a questão de vulnerabilidade dessas crianças e adolescentes, principalmente em relação à violência doméstica familiar", afirma.
Em números, Kelly explica que a média de denúncias distribuídas pelos cinco conselheiros aumentou no período de quarentena. "A média que em fevereiro era de 3 denúncias por conselheiro, foi pra 12 no mês de março e 8 em abril e maio. Não todas relacionadas a violência, mas percebemos o aumento das denúncias de violência doméstica", diz.
DEMAIS ORIENTAÇÕES
Em casos de pais separados, o Conselho Tutelar 1 também está orientando, semanalmente, para que neste período de pandemia haja um maior bom senso em relação a levar essas crianças para perto de pessoas com mais idade. "É preciso paciência, porque estamos em uma pandemia. O ideal é não expor esses familiares", afirma Casemiro.
Kelly também ressalta que os pedidos relacionados às vagas nas escolas caíram, mas outras surgiram, ainda que em pouca quantidade. "Algumas escolas têm entrado em contato conosco para pedir auxílio para entrar em contato com pais e monitorar as atividades escolares dos filhos" conclui.
CONTÍNUO
Nos dois conselhos, os trabalhos permaneceram nos mesmos horários, inclusive com plantões. De acordo com os conselheiros, foram seguidos os mesmos protocolos padrões, apenas com mais cuidados com higiene e aglomerações. Para a população, o atendimento segue pelas plataformas digitais e pelo dique 100. Além dos telefones do Conselho Tutelar 1: (14) 3227-3499 (9h às 17h, segunda a sexta). Plantão (14) 99148-1203 (18h às 8h, segunda a sexta, finais de semana e feriados) e Conselho Tutelar 2: (14) 3227-3339. Plantão (14) 99148-1203 (18h às 8h, segunda a sexta, finais de semana e feriados).