09 de julho de 2026
Geral

Mais próximos ou mais distantes, mas sempre apaixonados

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar da confusão com o calendário e a sensação constante de domingo (para alguns), nesta sexta-feira (12) os casais apaixonados vivem um 'Dia dos Namorados' especial. Isso porque a data, definitivamente, não será como as outras, seja para quem está junto há alguns anos ou para quem começou a namorar na pandemia.

Sim, por mais que isso pareça complicado, há quem tenha se apaixonado em meio ao caos. Como Amanda Araújo Martins, de 25 anos, e Raul de Luca Mosca, de 26. E, na verdade, a história desses dois começa bem antes da pandemia. "A gente se conheceu na primeira série, em São Paulo. Depois disso, mudei para Bauru e nunca mais nos vimos", conta Amanda.

Raul relembra que, desde aquela época, já tinha um olhar especial para a garota. "Eu gostava dela e, um dia, ela me deu um beijinho. Coisa de criança, mas acho engraçado lembrar", diz. Também Amanda e sua mãe, com quem mora em Bauru, tem recordações da época. "Convidamos ele para o meu aniversário que seria das 14h às 19h. A mãe dele leu o convite errado e o levou às 19h, no final da festa", relembra aos risos.

APROXIMAÇÃO NO ISOLAMENTO

Mas foi em meio ao isolamento que essa história se concretizou após quase 20 anos. "Um dia, na quarentena, estava vendo as pessoas que tinha no meu Facebook e encontrei ele. A gente já havia conversado há um tempo atrás, mas eu estava namorando. Aí, pensei em retomar a conversa e assim foi", comenta. "Ela começou a falar comigo e conversávamos todos os dias, até que resolvemos que eu viria para Bauru, para passar uns dias por aqui", completa Raul.

E assim, Raul está desde 26 de maio na cidade, morando com a namorada e a mãe dela. "Minha mãe topou que ele viesse e queria vê-lo também. Ela está lidando bem com isso, a família dele também e a nossa relação está excelente. Realmente, estamos vivendo, em dois meses, muito do que as pessoas vivem em muitos anos, mas está sendo leve", garante Amanda.

Agora, o plano de Raul é se fixar em Bauru, para ficar mais perto de Amanda. "Eu estou procurando um emprego por aqui, para que eu possa me mudar. Bauru tem várias qualidades em relação a São Paulo e quero aproveitar isso, além de estar com próximo dela", diz.

A data de hoje, que marca o primeiro Dia dos Namorados do casal, será para lá de diferente. "Apesar de estarmos juntos, não vamos poder sair para fazer nada e, aqui em casa, minha mãe estará com a gente. Será um Dia dos Namorados com a sogra", brinca Amanda.

À MODA ANTIGA

Enquanto uns se aproximam, outros têm de recuar um pouco para garantir a saúde de todos os envolvidos. Com quase três anos de namoro, pela primeira vez Adriana Brunelli, de 45 anos, e Julio Mizuno, de 44, passarão a data sem dar sequer um beijinho. "Essa foi a nossa escolha para preservar a nossa saúde e a dos nossos pais que são idosos", afirma Adriana.

E isso não se restringe a esta sexta-feira, mas todos os dias desde 20 de março. "Além de meu namorado, ele também é meu professor de yoga. Neste dia, foi a última aula e, depois, passamos mais de vinte dias sem contato. Só falávamos pelas redes sociais", conta ela. "Nossas conversas passaram a ser por mensagens e chamadas de vídeo. Depois, combinamos que uma vez por semana, eu iria em frente ao portão da casa dela para vê-la e conversarmos. Mas também à distância, sem contato", completa Julio.

Hoje, a noite do casal está programada para um jantar ao ar livre, ainda sem direito a beijos e abraços. "Estamos pensando em pedir algo e jantar na varanda, onde é mais arejado. Além de continuar mantendo a distância", afirma o rapaz.

Os amigos questionam se é, de fato, possível o casal estar nesse "jejum de quarentena" e Adriana afirma que esta é a decisão mais acertada para os dois. "Sempre que me perguntam eu respondo que confio muito nele, ele em mim e é uma fase que estamos passando juntos", conta.

Agora, com a recente flexibilização conquistada, os dois também relaxaram um pouco as normas. "Esses dias saímos para caminhar juntos, mas de máscara, sem contato físico, nem dar as mãos. Quase à moda antiga", conclui Adriana, com muito bom-humor.