08 de julho de 2026
Articulistas

Vacinas e cobaias

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A pandemia do novo coronavírus explicitou também as dificuldades da população com a estatística, ainda mais quando se fala em crescimento exponencial e a dependência da contaminação ao longo do tempo em função dos cuidados ou descuidos no início da doença.

Os alertas sobre outros fatores correlatos à pandemia e ao isolamento social, como o alcoolismo, partem do pressuposto de que a informação veiculada é absorvida pelo interlocutor. Se assim fosse, não estaríamos com os baixíssimos índices de isolamento social. Porém, como campanhas contra o alcoolismo já vinham sendo praticadas, deitar o olhar sobre elas (que já tinham eficiência baixa) pode ser uma forma de explicar a ineficácia do combate ao coronavírus no momento.

Testagem em massa e capacidade de lidar com casos graves são dois fatores muito aquém do necessário para se pensar em liberação da circulação das pessoas. Mas a falácia da necessidade do comércio fala mais alto. Já estamos vendo reclamações de que o público não está indo às lojas, o que era totalmente esperado. Proteção individual? Um dia chegou a ser hilário o motoqueiro dirigir com o capacete no cotovelo, mas hoje é temerário a pessoa com a máscara facial no queixo ou não cobrindo o nariz indo às ruas e às compras.

A ignorância também é histórica, ao desprezar o que aconteceu um século atrás na chamada gripe espanhola e na forma como lidamos com outras pandemias. A boa ciência sempre se pauta pela ética, e, sim, podemos usar cobaias humanas para testar vacinas, em resposta a pergunta que tem sido feita, caso sejam seguidos todos os procedimentos de esclarecimento consentido, e sejam pessoas não infectadas com o vírus que venham a se submeter aos testes. Não é necessário obrigá-las a isso ou partir de pessoas totalmente sãs. De qualquer forma, vale discutirmos os limites da ética, especialmente quanto ao experimento social do bolsonarismo a que todos nós brasileiros fomos submetidos, com as nefastas e assassinas consequências, mesmo os que veementemente se negaram a dele participar.

Em tempo: um interlocutor e crítico de minhas opiniões escreveu em 31/5 na Tribuna do Leitor algo que suponho ser referente a artigo meu anterior. Como ele não menciona isso explicitamente, também não direi seu nome e se quiser uma resposta adequada, ainda que parcial, vá ao meu blog (https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2020/06/ate-aqui-respondendo-bem.html), pois lá postei sobre essa questão com mais detalhes. #IniCiencias