Nova York - Dono de um estúdio em Minneapolis, nos EUA, o ativista de origem porto-riquenha Ricardo Levin Morales adicionou recentemente um novo item a seu portfólio de arte engajada. É o bóton: "Acabe com a polícia. Reforma não é o suficiente".
O adereço na cor roxa pode ser comprado por US$ 1,50 (R$ 7,50) pela internet, mas Morales tem preferido distribuí-lo de graça em ruas de bairros de maioria negra da cidade neste momento.
"Qualquer coisa com essa mensagem é um sucesso, especialmente entre os mais jovens", diz ele, que faz gravuras, pôsteres e camisetas com slogans como "se você quer quebrar as correntes, primeiro terá que quebrar as regras".
VANGUARDA
Palco do assassinato do desempregado negro George Floyd por um policial branco em 25 de maio, a cidade do Meio Oeste americano está na vanguarda de um movimento antes visto como restrito a uma franja radical, mas que vem se alastrando pelo país.
Trata-se de acabar com as polícias, ou ao menos desidratá-las por meio do corte em seu financiamento.
Em Minneapolis, no último domingo (7), nove membros do Conselho Municipal, órgão equivalente à Câmara dos Vereadores, anunciaram seu compromisso com o desmantelamento da polícia. Com um total de 13 conselheiros no colegiado, a expectativa é que os planos sejam aprovados sem dificuldades.
A reação dos conselheiros foi uma consequência direta da comoção gerada pela morte de Floyd, que teve a participação de uma movimentada cena ativista local que há anos faz desse tema sua bandeira.
NOVA YORK
O governador Andrew M. Cuomo assinou uma Ordem Executiva - a 'Colaboração para Reforma e Reinvenção da Polícia do Estado de Nova York' - exigindo que as agências policiais locais, incluindo a NYPD, desenvolvam um plano que reinvente e moderniza estratégias e programas policiais em sua comunidade com base nas contribuições da comunidade. O plano de reforma de cada órgão policial deve abordar novas políticas, procedimentos, práticas e implantação, incluindo, entre outros, o uso da força.
Para começar,
menos dinheiro
Entidades de defesa dos negros de atuação nacional, como a Black Lives Matter, que esteve na linha de frente das manifestações após a morte de Floyd, têm propagado o slogan "Defund the Police" (corte o financiamento da polícia).
No Congresso, líderes sobretudo democratas prometem aprovar reformas nas polícias, embora o candidato do partido à Presidência, Joe Biden, não tenha se comprometido a apoiar o fim delas.
Delitos leves ou de média complexidade, passariam a ser responsabilidade de assistentes sociais.