08 de julho de 2026
Nacional

CNBB age para evitar ruptura

Estadão Conteúdo
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São Paulo - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou reunião emergencial para contornar divergências políticas e evitar ruptura no clero. O encontro, na terça (9), foi convocado após a oferta de apoio ao governo Jair Bolsonaro, vinda de dirigentes rádios e TVs católicas. Em troca, padres e leigos pediram ao presidente a ampliação do alcance de suas redes de radiodifusão, além de verbas, na forma de publicidade estatal.

O chamado para a reunião episcopal partiu do presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, e do bispo referencial da Pastoral da Comunicação, dom Joaquim Mol. Eles conversaram, pela Internet, com os bispos das dioceses cujos sacerdotes haviam participado da audiência com Bolsonaro: Campinas, Curitiba, Goiânia e São Paulo. Na conversa, descrita como "límpida e sincera", surgiram manifestações divergentes, mas os bispos tentaram superar os desentendimentos.

Os padres fizerem chegar à CNBB que não esperavam tamanha reação e que foram alvos de insultos nas redes sociais. Temiam ter suas atividades prejudicadas. A tensão aumentou depois das manifestações de repúdio emanadas por diversos segmentos do clero, entre eles a própria conferência. De perfil moderado, dom Walmor agiu apaziguar as animosidades.

O descontentamento no clero agravou-se no início desta semana, quando o arcebispo de Curitiba (PR), dom José Antônio Peruzzo, contrariou publicamente a CNBB, ao defender os pedidos do padre Reginaldo Manzotti, um ícone pop da Igreja, a Bolsonaro. Em nome de todas as redes católicas, Manzotti cobrou do presidente a ampliação e mais agilidade nas autorizações de funcionamento de rádios e TVs ligadas à Igreja, as quais, segundo o sacerdote, desejavam "caminhar junto" ao governo.

Por meio de nota, a conferência classificou o teor da conversa presidencial como "barganha" e se dissera "indignada". Para dom Peruzzo, a CNBB foi "infeliz e "detrativa". Dom Peruzzo argumentou que, mesmo em ambientes coesos e harmônicos, ocorrem mal entendidos.

Os bispos cogitaram passar a submeter ao crivo da CNBB os convites para audiências no governo, mas desistiram de impor um aval porque a conferência não possui autoridade eclesial para enquadrar os controladores das rádios e TVs de inspiração católica - nem sequer as dioceses, hierarquicamente subordinadas ao Vaticano. Coube ao arcebispo de Curitiba relevar a proposta de intervenção no diálogo de religiosos católicos com o governo. "Houve até algumas proposições quando surgirem convites dessa natureza de que conversemos para evitar mal entendidos, mas não há, por parte da CNBB, muito menos do setor de comunicações (Pascom), qualquer intenção de neutralizar, restringir ou criar resistências à atuação das TVs católicas e rádios", disse.