10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Negacionismo e fake news

Bruno H. Montanholi Santos
| Tempo de leitura: 2 min

Terraplanistas, movimento antivacina, frases como "coronavírus é só uma gripezinha" e a negação da importância de estudos científicos... O século XXI, definitivamente, não começou bem para a ciência, o que de fato na realidade não são só aspectos do nosso século. Atila Lamarino, um biólogo e pesquisador brasileiro, em entrevista ao programa Roda Viva no dia 30/03/2020 abordou o tema e deixou perceptível que a falta de financiamento e problemas estruturais corroboram com perspectivas negacionistas e narrativas que se confrontam com a realidade.

A polarização política ganhou força assim como as fake news e o espalhamento de informações levianas contém suas peculiaridades, que indubitavelmente se escondem atrás de posicionamentos, motivos pessoais e políticos. A prática do fanatismo contribui de maneira intuitiva e a disseminação de discursos da anticiência, práticas até de figuras públicas. O assunto mais comentado do momento é, certamente, a Covid-19. O Brasil é o segundo país com mais casos da doença, com 584 mil casos (segundo matéria da revista Época, de 04/06/2020), perdendo somente para os Estados Unidos, que contabilizam 1,8 milhão de registros. Questões ligadas ao isolamento social, o uso do hidróxido de cloroquina dentre outros assuntos viraram alvo das conhecidas fake news, muitos podem não querer assumir, mas o Brasil já possuía um longo relacionamento com as falsas notícias, a pandemia apenas demonstrou o quão aflorado isso estava no consciente do povo e como a ação ideológica se demonstra cada vez mais presente no cotidiano em terras tupiniquins.

Em suma, explicitar a importância da produção de conteúdo científico, e principalmente enfatizar relevância de analisar e pesquisar as fontes de onde recebemos notícias e quaisquer outro tipo de informação, em meio à pandemia, é sinônimo de ética, devemos levar ciência e sociedade como aspectos dentro da mesma perspectiva (interdependência).

Em tempo, é necessária uma nova postura diante a um período escuro, destacar a elaboração de novos métodos de pesquisas, e através da especificidade empírica de toda essa trajetória, reorganizar-se e abrir espaço para mais racionalidade. A falta de transparência e comunicação elucidam a necessidade de afastar a ignorância intelectual e de aproximar as pessoas mais simples, através de uma linguagem mais clara e objetiva, ou seja, sendo sucinto, abordando a camada mais popular (classe baixa). E através dessa aproximação da camada mais popular e a facilitação de acesso de conteúdo e entendimento, tornar sociedade e ciência interdependentes, é um ótimo caminho para a resultados positivos para o ser humano.