10 de julho de 2026
Nacional

Covid-19 já tinha se disseminado quando quarentena foi adotada

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Mais de 100 diferentes linhagens do novo coronavírus (SARS-CoV-2) chegaram ao Brasil entre os meses de fevereiro e março de 2020, mas apenas três delas - muito provavelmente vindas da Europa - continuaram a se expandir no País e originaram os mais de 805 mil casos de Covid-19 confirmados até 12 de junho. Essas três linhagens emergiram nos Estados de São Paulo e do Rio entre 22 e 27 de fevereiro e sua transmissão comunitária já estava estabelecida no início de março, antes de os órgãos de saúde recomendarem a restrição de viagens aéreas e a adoção de "intervenções não farmacológicas"(NPIs, na sigla em inglês) para conter a disseminação do vírus.

O Ministério da Saúde regulamentou em 13 de março os critérios de isolamento social e quarentena, que foram implementados cerca de uma semana depois. As fronteiras terrestres só foram fechadas em 19 de março e a entrada de estrangeiros por voos internacionais só foi restringida no dia 27 do mesmo mês.

"Nossos resultados evidenciam a existência de duas fases da epidemia no País. A primeira é de transmissão a curta distância, dentro das fronteiras estaduais de São Paulo e Rio. No início de março teve início a fase dois, de longa distância. Ou seja, as pessoas contaminadas nesses dois Estados já estavam levando o vírus para as demais regiões do País quando foram adotadas as NPIs", conta a pesquisadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), uma das coordenadoras da pesquisa.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas usaram um modelo de transmissão orientada pela mobilidade da população. Informações sobre viagens aéreas e sobre as mortes confirmadas por Covid-19 entre fevereiro e abril foram cruzadas com dados genômicos do SARS-CoV-2 obtidos pelo sequenciamento de quase 500 isolados virais de pacientes diagnosticados em 21 dos 27 estados brasileiros (contando o Distrito Federal).

O trabalho foi conduzido no âmbito do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE).