11 de julho de 2026
Geral

'O que é público não me pertence': por que o brasileiro não cumpre regras?

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

A não observância das regras sanitárias por parte de muita gente deixa o poder público bastante preocupado com o avanço do novo coronavírus. O JC ouviu especialistas de diferentes áreas do conhecimento para tentar entender por que boa parte dos brasileiros não gosta de cumprir normas. A ideia incutida na mente dos cidadãos de que "o público não me pertence, eu cuido da minha vida" leva à naturalização das transgressões. Este é um dos fios condutores das análises de profissionais da Psicologia, do Direito, da Sociologia e da História, além das autoridades locais. Só há respeito aos pactos e leis com a repressão?

Professora de História, Sônia Mozer argumenta que, desde a época da colonização até os primeiros 50 anos da República, as leis brasileiras eram opressoras e, por isso, a população não adquiriu o hábito de procurar, formalmente, pelas autoridades competentes em busca de mudanças. "As transgressões, então, ocorriam como forma de oposição", afirma.

Professor de Direito da Unesp, em Bauru, Carlo José Napolitano diz que a sociedade, em geral, não se sente representada no processo de elaboração das normas. "Os cidadãos não se consideram destinatários das regras e não se veem obrigados a cumpri-las", comenta.

Já o professor e filósofo Fausi dos Santos defende que apenas o conhecimento das leis sanitárias não é suficiente para gerar uma ação efetiva. Para ele, o ser humano só cumpre as regras que apresentam investimento afetivo. "Ninguém joga papel no chão ou coloca os pés na parede dentro de casa, porque aquele espaço possui certo valor. Na rua, o cenário muda de figura. Os indivíduos não se enxergam como parte da coisa pública", exemplifica.

Nas próximas páginas, estes e outros profissionais falarão sobre o que entendem ser as principais causas das desobediências individuais. As transgressões podem trazer, inclusive, consequências coletivas devastadoras, como o descontrole da proliferação do vírus e a explosão de casos da doença.

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