08 de julho de 2026
Cultura

Sem perder o passo na pandemia

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Ainda com restrições causadas pela pandemia, escolas de dança de Bauru encontraram caminhos para continuar levando os passos de dança para seus alunos. Com interação por ferramentas virtuais, os professores e alunos continuam rodopiando de suas casas, promovendo aulas gratuitas em lives e ensaiando até para possíveis apresentações online para o público.

"Foi um desafio, mas desde o começo, implementei as aulas por uma ferramenta online para não deixar os alunos sem contato com a escola neste período", conta a diretora da Sigma Escola de Dança, Karen Teixeira. Outra alternativa adotada por ela, foram aulas gratuitas em lives entre escolas de dança.

As aulas de cada turma migraram para o aplicativo Zoom e, ainda que alguns movimentos de balé não possam ser feitos de casa, a professora deixou disponível tutoriais para que os alunos possam treinar. "Existem alguns passos que são mais complicados para serem executados por conta do piso de algumas casas, mas damos total orientação e disponibilizo vídeos gravados para os alunos", afirma.

Também pelo Instagram da escola (@sigmaescoladedanca) alguns conteúdos de alunos e professores estão sendo publicados. "Professores e alunos de todos os estilos gravaram um vídeo, dançando de suas casas, com a música Paciência, do Lenine, que pode ser assistido no nosso perfil", diz Karen Teixeira.

MOTIVAÇÃO

Outra escola que também segue com as aulas em um formato online é a da professora Karina Valentin Mantovani, mais conhecida como Ká Valentin. "No começo, pensei em gravar as aulas para disponibilizar aos alunos, mas não haveria nenhuma interação entre nós. Então, pensei em fazer por lives, em um grupo fechado com eles. Mas, novamente, só eles me viam e eu não tinha como corrigi-los", comenta a professora.

Foi assim que o grupo em uma ferramenta online possibilitou a interação entre eles em tempo real. "Agora, consigo me comunicar com eles e dar as aulas pelo tempo que necessito, já que tenho a licença do aplicativo", conta.

Segundo ela, a interação e as apresentações online podem surgir como uma forma de animar os bailarinos, neste período. "Sempre que eles têm eventos para se apresentar são momentos de muito treino e comprometimento. Acredito que nós possamos até pensar em fazer apresentações online para que eles se motivem ainda mais e também o público tenha acesso à nossa arte", diz Karina.

ADAPTAÇÕES

Tradicional escola de Bauru, a Ballet Art Scheila do Valle também passou por adaptações para não perder o passo durante a pandemia. O primeiro movimento foi gravar vídeo-aulas e disponibilizar aos alunos, além de manter aulas online, por um curto período. "Começamos com aulas leves, apenas para que se exercitasse. Até porque não sabíamos por quanto tempo teríamos de ficar nesta restrição", conta a proprietária da escola, Scheila do Valle. "Depois, vendo que a situação não melhorava, começamos a aperfeiçoar e adaptar as aulas", completa.

Scheila ainda destaca que conta com uma professora assistente, durante suas aulas, para ter maior atenção aos movimentos executados pelos alunos. "Ela fica responsável por notar se estão fazendo os exercícios de forma correta. Temos um enorme cuidado para que não se lesionem", diz a professora, que acrescenta que haverá aulas de reposição deste conteúdo, assim que as aulas presenciais retornarem.

"Com 43 anos de aulas, confesso que foi difícil. Eu resisti um pouco às aulas online no começo, por conta da falta de contato com os alunos. Mas nós 'dançamos conforme a música', esperando que, em breve, possamos voltar a ver nossos alunos", finaliza.