08 de julho de 2026
Articulistas

Perigo de caudilhos e máfias no poder

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 2 min

Em 22-07-18, publicamos, aqui no JC, artigo com o título acima, aproveitando a vinda ao Brasil do sociólogo espanhol Manuel Castells, para lançamento de seu livro "Ruptura - A Crise da Democracia Liberal". Em artigo de apresentação ele escreveu que 'a obsoleta democracia liberal está, manifestamente, caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir na mente dos cidadãos, o único lugar em que pode perdurar'. E faz um alerta dizendo que as nações democráticas liberais correm o perigo de terem caudilhos e a máfia ocupando seu poder.

Na ocasião dissemos que, usando a liberdade e o nome da democracia com falsidade, muitos políticos encobrem os seus interesses ideológicos, econômicos, religiosos e egocêntricos, enganando a população. E citamos os casos da Venezuela, com sua democracia bolivariana e a ditadura dinástica de Kim-jong-un, chamada de República Popular Democrática da Coreia. Como estávamos em início de campanha eleitoral chamamos a atenção para o cuidado com alguns dos candidatos, já conhecidos pelo perfil ditatorial.

Embora a palavra caudilho não seja desconhecida, achamos interessante procurar alguns significados e encontramos: capitão, cabo de guerra, chefe de facção política, ditador. Veja o que o jornalista Luiz Raats disse sobre Hugo Chaves, tenente-coronel da reserva da Venezuela: "Atraía o ódio e o amor da população na mesma medida. Seus partidários o viam como o líder que tirou milhões da miséria e os detratores o descreviam como um caudilho populista que vergou ao limite as regras da democracia, eliminando a independência entre os poderes, manobrando programas sociais em troca de votos e perseguindo a imprensa".

Veio a eleição, um dos candidatos foi eleito com expressiva votação, despertando aliviadora espera e transcorrido um ano e meio de mandato, será que o alerta dado pelo sociólogo espanhol estava certo? Depois de assistir ao vídeo da reunião ministerial, com rompante autoritário, de 22 de abril, da intervenção na Polícia Federal, das trocas de ministros que não se curvavam à sua vontade pessoal, da negação da pandemia do Covid-19 e agora a tentativa de dar poder ao ministro da Educação para nomear reitores, estamos preparados para amarrar o cavalo do caudilho no obelisco de Brasília, como fizeram os gaúchos de Getúlio Vargas no obelisco do Rio?

O que temos a esperar, com olhar otimista, é que o Butantã venha a nos salvar do coronavírus com sua vacina e que a sociedade esclarecida afaste essa nuvem negra e deixe o Sol derramar os raios dourados da democracia sobre o "Coração do Mundo e Pátria do Evangelho".