As duas primeiras semanas de reabertura do comércio de rua em Bauru foram marcadas por intensa movimentação de pessoas, especialmente na região central da cidade. O grande fluxo - semelhante aos registrados em véspera de datas festivas, como o Natal - foi comemorado pelos comerciantes, que registraram vendas até 40% superiores ao que contabilizavam antes da pandemia do novo coronavírus.
Nesta terceira semana que passou, contudo, o movimento foi sensivelmente menor, o que levou preocupação para os lojistas. Alguns deles foram ouvidos pelo Jornal da Cidade e analisaram o comportamento do consumidor, bem como o desempenho do setor nestes primeiros 20 dias de retomada.
Gerente de uma loja de calçados localizada no Calçadão da Batista de Carvalho, Márcio Aurélio Serafinelli Aippe acredita que a euforia que marcou as duas primeiras semanas foi provocada pelo pagamento do auxílio emergencial garantido pelo governo federal. Por isso, ele avalia que a liberação de uma nova parcela poderá reaquecer as vendas.
"Mesmo com horário reduzido, conseguimos vender bem mais do que antes. Para chegar nesse resultado, fizemos campanhas também, com desconto de 20% na loja toda e parcelamento em até dez vezes", detalha.
SEM ESTOQUE
Danilo Afonso é gerente de uma loja de confecções que também vendeu além do esperado nos primeiros 15 dias de retomada. Segundo, ele, o faturamento foi cerca de 40% melhor do que o registrado antes da pandemia, mesmo com todas as restrições impostas para atendimento ao público.
"Porém, estamos trabalhando bastante com peças de outono/inverno do estoque do ano passado, porque não conseguimos receber nem 50% da mercadoria que teríamos de receber dos fornecedores. Muitas fábricas pararam por conta da pandemia e isso afetou o comércio", detalha.
Na tentativa de manter bons resultados, quase todas as lojas continuam trabalhando com serviço de delivery e retirada de produtos na porta. Esta estratégia será utilizada por elas, inclusive, para atender os clientes aos sábados, dias em que as lojas estão impedidas de abrir, pelo menos por enquanto, por força de decreto municipal.
DESINFORMAÇÃO
Para Rute Ramos, gerente de loja de uma confecções, as mudanças constantes nas regras de flexibilização deixaram os consumidores confusos. Ela conta que, quando Bauru retrocedeu para a fase laranja - o que representou endurecimento das restrições, - muitas pessoas acreditaram que as lojas seriam fechadas novamente.
"Acho que os clientes não estão vindo porque não sabem que o comércio está aberto. Esta terceira semana está com movimento bem abaixo do que tivemos no início, até pior do que antes da pandemia", pontua.
Segundo Diego Castellace, gerente de loja de roupas íntimas, o faturamento do estabelecimento, nesta terceira semana de reabertura, foi 20% menor na comparação com a primeira. "No início, todo mundo estava precisando de algo, então, teve aquela movimentação mais intensa. Agora, acredito que as pessoas já entenderam que as lojas não vão mais fechar e, por isso, não tem mais tanta pressa para comprar", completa.