Brasília - O senador Randolfe Rodrigues (Rede) classifica o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, como um fugitivo internacional, e diz que ele deve ser deportado dos Estados Unidos e preso no Brasil. Segundo a assessoria da pasta que chefiava, Weintraub deixou o país na noite de sexta e chegou neste sábado (20), pela manhã.
Não pedimos a prisão de Weintraub à toa. Sabemos sua índole. Se está nos EUA, está fugindo", diz Rodrigues, que apresentou ao Supremo Tribunal Federal pedido de prisão do ex-ministro na segunda-feira (15).
Weintraub é investigado no âmbito de inquérito que apura ataques ao STF. Em 22 de abril, em encontro com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e outros líderes do Executivo, ele chamou os ministros da corte de "vagabundos" e defendeu a prisão deles.
Como há restrição à entrada de estrangeiros nos Estados Unidos devido à pandemia, é possível que o ex-ministro tenha utilizado o passaporte diplomática a que ministros têm acesso. O documento só deve ser usado, no entanto, "em função do interesse do país".
"A utilização do passaporte diplomático de ministro foi ilegal, além de imoral. É desvio de finalidade. Como fugitivo internacional que é, Weintraub deve ser deportado ao Brasil e ser preso?, diz Randolfe.
Ministros de Estado têm direito a passaporte diplomático, e Weintraub foi beneficiado com o documento em julho de 2019, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores.
EXONERADO DEPOIS
Weintraub viajou aos Estados Unidos para ocupar uma diretoria no Banco Mundial. Demitido do MEC (Ministério da Educação) na quinta-feira (18), ele foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste sábado (20) após chegar a Miami.
De acordo com a assessoria de imprensa do MEC, Weintraub viajou ainda nesta sexta-feira (19) e já se encontrava nos EUA na manhã deste sábado. O ex-ministro embarcou antes de ser oficializada sua demissão.
Bolsonaro assinou a exoneração em edição extra do DOU (Diário Oficial da União). Segundo o decreto do presidente, Weintraub deixou a pasta "a pedido". Oficialmente não foi definido o sucessor.