09 de julho de 2026
Nacional

Monocultura e mudanças climáticas favorecem formação

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Carlos - Os fatores que levam ao surgimento de nuvens de gafanhotos na América do Sul ainda não estão totalmente claros, mas é bastante provável que alterações ambientais causadas pela ação humana, como as grandes lavouras de monocultura, acabem favorecendo a formação desses bandos com dezenas de milhões de insetos.

"A monocultura não apenas concentra grandes quantidades de alimento para os gafanhotos num único lugar como também tende a eliminar competidores e inimigos naturais", diz o entomólogo Ângelo Parise Pinto, da UFPR (Universidade Federal do Paraná). "Há ainda o fato de que a monocultura retira obstáculos para a movimentação deles, criando uma paisagem homogênea que facilita a agregação e a migração dos grupos."

"É preciso considerar que essas explosões populacionais entre insetos tendem a ser fenômenos muito rápidos, que começam rapidamente e podem terminar muito rapidamente também", explica Parise Pinto.

Tudo indica que a nuvem de gafanhotos dos últimos dias seja formada por membros da espécie Schistocerca cancellata, tipicamente sul-americana.

Gafanhotos capazes de formar essas agregações são, na verdade, muito raros: apenas 20 das 6.000 espécies do grupo apresentam esse comportamento. Além disso, mesmo as espécies com essa capacidade normalmente levam vida solitária, encontrando outros indivíduos apenas para o acasalamento.

Circunstâncias ambientais específicas, como maior disponibilidade de alimento, podem alterar essa dinâmica e fazer com que surjam as nuvens. Nesses casos, a própria anatomia dos insetos sofre mudanças profundas, com alterações na coloração e o surgimento de certas protuberâncias no corpo.

Como o processo de formação das nuvens é gradual e começa quando os gafanhotos ainda estão em sua fase imatura (as chamadas ninfas), o melhor método de combate ao problema é monitorar os insetos com frequência e eliminar as agregações em seu estágio inicial.

Além do uso de inseticidas convencionais, também é possível aplicar bioinseticidas - esporos de fungos capazes de infectar e matar os gafanhotos.

Segundo o pesquisador da UFPR, ainda não há estudos confiáveis sobre as variáveis ambientais (alterações no calor e na umidade, por exemplo) que poderiam favorecer o aumento das nuvens de gafanhotos na América do Sul.