São Paulo - O servente de pedreiro Julio Cesar Lima Ergesse, condenado a 34 anos de prisão pela morte de Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, então com 12 anos em junho de 2018 em Araçariguama (53 km de SP), enviou uma carta ao pai da garota, Luís Alberto Vaz, 36 anos, questionando a investigação do caso e afirmando "pagar pelo que os outros fizeram". Ele é um dos três acusados pelo homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver da garota.
O advogado de defesa Glauber Bez afirmou que não fará "nenhuma declaração sobre esta carta."
Segundo o pai de Vitória, conhecido como Beto, um detento que cumpria pena na penitenciária de Tremembé, onde Ergesse está preso, lhe entregou a carta. Beto procurou a delegada Bruna Racca Madureira, que cuidou as investigações do caso.
Segundo a carta, também lida pela delegada, Ergesse afirma que um Fiat Uno não teria sido periciado por causa de "um erro de comunicação" entre as polícias de Araçariguama, que investigou o caso, e de Sorocaba (99 km de SP), onde são feitos exames periciais na região. "Como a mídia não tem conhecimento [do Uno], então não há pressa nenhuma da polícia [em investigar]", diz trecho do manuscrito.
"Faça isso chegar ao conhecimento da mídia, aí a polícia trabalha", orienta Ergesse ao pai de Vitória.
"Não tem sentido nada do que ele escreveu", afirma delegada. "Todos os fatos foram apurados na época [do crime]."
Após ler a carta de Ergesse, a primeira sensação que o pai de Vitória Gabrielly sentiu foi de "se sentir usado". "Não tive outra alternativa do que sentir. Principalmente pela frieza da carta. Ele [Ergesse] não faz sequer uma abordagem a mim [sobre a morte de Vitória]. Ele escreveu o que interessava para ele", desabafou.
Vitória Gabrielly Guimarães Vaz foi levada por engano para acerto de contas entre traficantes.