Decotelli decolou. O governo federal poderia (e ainda pode) ter escolhido dezenas de nomes gabaritados para assumir o Ministério da Educação, que concorre com a pasta da Saúde em uma "disputa" de qual é a mais sucateada na atual gestão.
A briga é boa, ou melhor, feia. E triste. A escolha foi de Carlos Alberto Decotelli da Silva, um economista de 70 anos, que teria mentido sobre currículo, títulos docentes e passou vergonha nacional. O governo errou em não checar antes de nomear. Mas acertou em recuar e definir sua saída, mesmo antes de ele assumir formalmente. Será que Decotelli vai incluir no currículo que foi ministro? Espero que não.
É fato que para ser melhor que o seu antecessor, Abraham Weintraub, Decotelli não precisaria se esforçar tanto. E mais: seria incrível termos um ministro da Educação negro, mas atitudes corretas têm de estar acima de tudo.
Plágio é considerado falha científica gravíssima. E não é isso que se espera de um ministro da Educação. Ele informou que possuía doutorado e pós-doutorado, mas não tinha. Disse ter dado aula em algumas universidades, mas as faculdades desmentiram publicamente. Um vexame completo.
E qual a mensagem que ficaria se Decotelli tomasse posse na Educação? Como iríamos olhar nos olhos de nossas crianças, depois disso, e dizer para elas o quanto é importante estudar, se dedicar para tirar boas notas, não plagiar, não colar na prova e que o estudo é (ou deveria ser) transformador?
Com a saída de Decotelli antes da posse, nos encaminhamos para a repercussão do quinto nome (inclui-se aí um interino) para o Ministério da Educação em um ano e meio de governo. E ainda há quem diga que cargo de técnico de futebol é o mais instável no Brasil. Estarrecedor.
O autor é jornalista, repórter e especialista em Linguagem Cultura e Mídia pela Unesp.