Era para ser "apenas" a temporada em que Lewis Hamilton buscaria igualar ou quebrar os principais recordes do heptacampeão Michael Schumacher na Fórmula 1. Essa busca persiste, mas o campeonato de 2020 da categoria, que começará neste fim de semana na Áustria, ganhou nos últimos meses muitas histórias a serem contadas além da busca por façanhas esportivas do piloto britânico.
A começar por outra faceta do próprio Hamilton, que aos 35 anos tornou-se uma das vozes mais importantes do movimento antirracista no meio esportivo. Dos diretores da categoria aos rivais de pista, o piloto inglês tem cobrado ações para que a principal competição do automobilismo mundial seja mais inclusiva.
Após pressão do britânico, a F1 anunciou nos últimos dias a criação do programa "We Race as One" ("Nós Corremos como Um"), com ações voltadas para a inclusão de pessoas de diferentes etnias, gênero e orientação sexual nas pistas e também no quadro de funcionários das equipes.
A atuação de Hamilton levou a Mercedes a apresentar uma nova pintura para o carro, na cor preta. Na condição de principal astro do esporte, ele quer despertar mais manifestações no grid.
Caso ocorram novas mudanças, elas não serão as únicas nesta temporada peculiar da Fórmula 1, que marca o aniversário de 70 anos da categoria.
Depois de sucessivos adiamentos por causa da pandemia de Covid-19, a abertura do campeonato ocorrerá oficialmente nesta sexta-feira (3), quando o GP da Áustria receberá os primeiros treinos livres sete meses após o final da temporada 2019.
Os portões estarão fechados para o público, assim como ocorrerá nos sete GPs seguintes que já estão marcados, todos na Europa. Haverá restrições no número de pessoas que poderão acessar os autódromos e não será montado o pódio da maneira tradicional para celebrar os resultados da corrida.
A corrida no autódromo de Spielberg, a partir das 10h10 (de Brasília) de domingo (5), será a primeira chance para o hexacampeão começar a diminuir a distância para três importantes recordes que Schumacher ainda possui: número títulos, de vitórias e de pódios.
Desde a sua estreia na categoria, em 2007, o britânico já subiu 151 vezes ao pódio, 84 delas no lugar mais alto. Em 19 temporadas ao longo de sua carreira, o alemão chegou entre os três primeiros 155 vezes, com 91 vitórias. Com a média do piloto da Mercedes nos últimos anos, não será surpresa vê-lo tomar as marcas de vitórias e pódios ainda em 2020.
Desde 2014, ano em que conquistou seu primeiro título pela equipe alemã, o segundo de sua carreira, ele mantém uma regularidade de 10 vitórias por temporada. No ano passado, quando chegou ao sexto troféu do mundial, venceu 11 vezes.
Hamilton classificou a temporada 2020 como a mais difícil que a F1 já conheceu, devido a todas as adaptações que serão necessárias para as provas e pelo fato de o mundo ainda se ver em meio à pandemia.
Por isso, ele também terá menos corridas para bater as marcas ainda neste ano e um intervalo bem mais curto entre elas. As oito primeiras ocorrerão em dez fins de semana. Ao todo, a temporada terá, na melhor das hipóteses, de 15 a 18 provas. No calendário original, estavam previstas 22. Por enquanto, o GP Brasil ainda não está entre etapas canceladas.