08 de julho de 2026
Nacional

Happy hour em casa

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Eles já tiveram seus dias de glória. Por quase três décadas, a partir da segunda metade do século passado, manter em casa um bar bem abastecido era item quase que indispensável em qualquer sala de respeito. Nas lojas do ramo, móveis - mais ou menos exóticos - que se propunham a reunir, em torno de um balcão, armários, estantes e banquetas, eram comuns. E cobiçados.

Tempos depois, o tamanho dos imóveis diminuiu. A ideia de estimular o consumo de bebidas passou a ser vista com desconfiança e a presença de um móvel com essa finalidade, tomada como atestado de mau gosto. Até que o isolamento social colocou a questão em outra perspectiva. Afinal, se beber em casa tornou-se nossa única opção, por que não reservar uma área na qual isso possa ocorrer da forma mais confortável possível?

A rigor, o bar nunca saiu da cena doméstica. Ele apenas se renovou, ficou mais customizado e se integrou à decoração. Isolá-lo em um cômodo fechado, por exemplo, hoje está fora de questão. A área social continua sendo a preferida para posicioná-lo, mas a sala de jantar e a cozinha não ficam atrás. "Considero cantos pouco aproveitados, como o vão sob escadas", diz a arquiteta Guta Louro (gutalouro.com.br).

A arquiteta bauruense Maria Luíza Canedo acredita que ter um bar em casa traz ainda mais estilo e personalidade para o ambiente. "É ótimo ter um espaço intimista para compartilhar bons momentos e colecionar histórias através de uma garrafa adormecida por anos e anos", diz a arquiteta. "Gosto de projetar bares que exprimem o bom gosto do anfitrião, em um espaço da casa sem luz direta para não comprometer a qualidade das bebidas."

Já no caso de um projeto executado pela arquiteta Shirlei Proença (instagram.com/shirleiproenca), o bar surge como um prolongamento da sala. "Meu cliente queria um cantinho onde pudesse curtir seus drinques com os amigos, jogar videogame, expor sua coleção de objetos assinados por seus ídolos do esporte. Para criar o clima, o tampo da bancada é translúcido e, para reforçar o visual hi-tech e urbano, encomendei um grafite no teto e apliquei néon à parede", explica ela.

Tudo, claro, é uma questão de escala e orçamento. Mas a boa notícia é que, para quem está interessado em montar seu próprio bar, uma simples bandeja já pode dar conta do recado. "Gosto de usar carrinhos de chá como móvel de apoio. Aparadores ou prateleiras em estantes são também excelentes opções", afirma o arquiteto Nildo José (nildojose.com).

Se esse for seu caso, além dos rótulos sugeridos acima pelo colunista Gilberto Amendola, tudo se resume a dispor de uma boa superfície de apoio, e distribuir todos (ou os principais) itens, com inspiração e critério.