09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A falha é das pessoas ou dos sistemas?

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil- Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP
| Tempo de leitura: 3 min

É comum a esquerda culpar o sistema capitalista pelo fato do patrão explorar os empregados, mas, culpar o "capitalismo" por isso, seria o mesmo que culpar o "catolicismo" por algo que um padre fez de errado. Na verdade, isto é falha humana de um tipo de pessoa, que pode também ocorrer no socialismo, no sindicato e até no Vaticano. Aliás, nós, os "homo sapiens", somos a origem do bem e do mal, da criação dos sistemas onde participaram pessoas competentes e bem intencionadas, outras nem tanto, e a iniciativa de errar é sempre nossa se aproveitando de alguma brecha no sistema, pois, neles, dificilmente se consegue prever tudo. Há também quem diga que o capitalismo pode não ser o culpado direto, mas propicia a exploração pelo poder dos patrões. Ora, se é pra comparar poder, lembro que o "poder absoluto" do socialismo possibilita a seus dirigentes fazerem o que quiser e muito mais que os capitalistas, haja vista que o socialismo já produziu trabalho escravo e cerca de 100 milhões de mortes pelo mundo. Logo, trocar o capitalismo pelo socialismo seria trocar um sistema que propicia falhas, por outro que propicia muito mais.

Esse jogo político de palavras começou há cerca de 200 anos atrás com a "luta de classes" de Karl Marx, traduzido no "nóis e eles" da nossa esquerda atual. Era a época da Revolução Industrial, quando na Europa proliferou milhares de fábricas com inovações tecnológicas, enriquecendo seus donos, mas que, convenientemente, a esquerda omitiu que isto também beneficiou de imediato centenas de milhões de pessoas, principalmente os mais pobres, com produtos mais baratos como as roupas e os alimentos. Hoje, a conveniência política continua a mesma, colocando as classes "mais altas" como inimiga das "mais baixas", insinuando que uma ganha mais, porque abocanha parte do que seria da outra. E isso pega fácil, uma vez que nas classes mais baixas predominam pessoas menos informadas, que não sabem que há situações econômicas onde todos podem ganhar, com a riqueza sendo gerada a partir de algo criativo que desperte o interesse da população. Por exemplo: considere uma pessoa criativa que investe com sucesso numa fábrica de roupas "bonitas & baratas", sendo óbvio que isto pode ajudar os pobres com os empregos na fábrica, e com a aquisição das roupas bonitas e baratas que ela produzir. Note que a riqueza gerada pela fábrica antes não existia, estando latente na espera de ser estimulada pela criatividade e investimento. Mas, ao não reconhecer o mérito da iniciativa, a esquerda rechaça esta situação que deixa o "rico mais rico", defendendo o socialismo que acaba com ela, ignorando que isto prejudicaria ainda mais os pobres que tanto defendem.

Do mesmo modo, no Brasil, tem também ocorrido falhas humanas devido as imperfeições dos vários sistemas (político, capitalista, midiático, jurídico, ...), gerando oportunidades para algumas pessoas tirarem vantagens. E a campeã disparada disso foi a que envolveu empresários que se associaram a políticos de esquerda, eleitos com discursos maravilhosos em defesa dos mais pobres. Ocorreu "corrupção" de fazer inveja a qualquer bandido, desviando bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro este que fez muita falta, principalmente aos mais pobres. E a ironia é que estes mesmos políticos de esquerda, que antes insinuavam que os pobres eram roubados pelos ricos, neste processo, foram os que mais enriqueceram. O que fazer? Como a natureza humana não dá pra mudar, a única forma possível é tentar inibir aqueles que cometem crimes, impondo leis mais severas e cobrar da justiça uma atuação mais rigorosa. Mas, no Brasil, ainda tem muitas pedras no caminho para se fazer isto, atrapalhando sua evolução. O que está faltando?

Como já ocorreu em vários Países que evoluíram, falta as pessoas mais esclarecidas, que visam nossa prosperidade e liberdade, se mexerem mais e assumirem o protagonismo do Brasil.