10 de julho de 2026
Nacional

Com 'Homem Pateta', criminosos prejudicam crianças

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - "Deixa ele jogar comigo. Logo depois você o verá morto. Cuide do seu filho ou eu vou fazê-lo se matar", foi a mensagem que a cirurgiã-dentista Camille Vanini, 36, recebeu do perfil que estava conversando com seu filho de 10 anos. Era o "Homem Pateta".

Desde meados de junho, a Polícia Civil começou a emitir alertas sobre perfis em redes sociais identificados como Jonatan Galindo, mas com fotos que remetem ao personagem da Disney. As contas seriam usadas para enviar jogos e brincadeiras a crianças, com incentivos à mutilação e ao suicídio.

PRIMEIRO CASO

A família brasiliense pode ser uma das primeiras vítimas do crime virtual no Brasil. O garoto, que não tem rede social, viu pelo celular de Camille notícias sobre o tal "Homem Pateta". Então, foi atrás de perfis do tipo e acabou sendo respondido por um, em inglês. Por já ter vivido no exterior, ele fala o idioma.

No diálogo, a pessoa por trás da conta falsa dava 10 minutos para que as respostas fossem enviadas e exigia que o menino seguisse na conversa. Ele, no entanto, acabou dormindo.

"Confesso que não fazia ideia do que era quando vi a conversa. Minha primeira reação foi pedir desculpas. O problema foi quando ele disse que eu ia ver meu filho morto", diz Camille sobre a ameaça.

"Eu me tremia de uma ponta a outra. Trabalho em causas sociais para crianças e nunca imaginei que isso estaria acontecendo dentro da minha casa", conta.

O menino explicou que sua intenção era prender a tal figura, para que ele não pudesse ferir outras crianças. Agora, não dorme à noite e a mãe precisou buscar ajuda psicológica para ele.

"A gente não sabe até que ponto isso é virtual ou é real. Meu filho está com medo", diz Camille, que denunciou a conta no Instagram, mas recebeu como resposta que o perfil não violava as regras de conduta da rede social.

REDES SOCIAIS

"Tive expectativa de que fosse tirado do ar, mas não aconteceu. Empresas como o Instagram precisam tomar atitutes em relação a esses psicopatas. Assim como ele falou com o meu filho, e dei sorte de perceber rápido, ele pode estar falando com outras crianças", afirma.

Uma pesquisa rápida no Facebook e no Instagram revela dezenas de perfis com o nome Jonatan Galindo e a imagem macabra em referência ao personagem da Disney -algumas têm conteúdo em português.

PROVIDÊNCIA

Camille registro um boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Ela também fez uma queixa-crime no Ministério Público.

No Brasil, induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação é crime e pode gerar uma pena de 6 meses a 6 anos de prisão.