Buenos Aires - Protestos antiquarentena marcaram a tarde desta quinta-feira, feriado de 9 de Julho, Dia da Independência da Argentina, nas maiores cidades do país.
Em Córdoba, Santa Fé, Rosário, Avellaneda, Mar del Plata e na capital, Buenos Aires, manifestantes saíram às ruas com bandeiras nacionais para pedir democracia, liberdade e o fim da "infectadura", ou seja, o que alguns grupos afirmam ser uma ditadura comandada por infectologistas.
A Argentina, em especial a região metropolitana de Buenos Aires, está sob medidas de restrição contra o coronavírus há 113 dias, o que provocou o fechamento de milhares de comércios e pequenas empresas. A previsão é de que o PIB do país caia ao menos 10 pontos percentuais até o fim do ano, segundo o FMI.
Os protestos foram convocados pela internet e começaram ainda na noite anterior, na cidade de Pilar, ao norte de Buenos Aires. Ali, uma localidade nobre, manifestantes reagiram à libertação de Lázaro Báez, condenado por lavagem de dinheiro em caso ligado ao casal Néstor e Cristina Kirchner, presidentes entre 2003 e 2015. O empresário, que vive em Pilar, irá para a prisão domiciliar nos próximos dias.
PRISÃO
Os cartazes com os dizeres "ladrões na cadeia, povo democrático livre" e os gritos contra a libertação de Báez também se referiam à saída da prisão do ex-vice de Cristina, Amado Boudou, e do ex-ministro Julio De Vido, todos presos por corrupção.
Assim como o empresário, ele receberam o benefício da prisão domiciliar nos últimos meses.
Além de pedir o fim da quarentena, a marcha tinha tom anti-governo e fazia referências à crise econômica e à dificuldade do governo em renegociar a dívida externa. Havia também cartazes em referência à falta de trabalho e de dinheiro, além do fechamento de empresas e o fim de empregos.
Em Buenos Aires, muitas pessoas ficaram dentro de seus carros, fazendo um" buzinaço". Eram cercados por fileiras de manifestantes a pé, alguns com máscaras, e o distanciamento social não foi respeitado.