Rio de Janeiro - Promotores do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) encontraram uma fortuna escondida em uma casa em Itaipava, na região serrana do Rio, que pertence ao ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, preso horas antes em Botafogo, no Rio por suspeita de integrar uma organização criminosa que fraudou contratos de compras de respiradores. Os agentes contabilizaram ao menos R$ 6 milhões em notas de R$ 100 e R$ 50.
O ex-secretário estadual de Saúde do Rio foi preso na manhã desta sexta-feira (10) em uma operação do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). A ação acontece após a prisão, em 7 de maio, do número dois de Edmar na pasta, o ex-subsecretário executivo Gabriell Neves. O MP-RJ diz ter identificado nas investigações, além de Neves, a presença de "outro comandante" do grupo: o próprio Edmar Santos, integrante da organização criminosa que fraudou contratos de compra de respiradores pulmonares, em caráter emergencial, para atendimento de pacientes com Covid-19.
O ex-secretário do governador Wilson Witzel (PSC) é suspeito dos crimes de organização criminosa e peculato.
RESPIRADORES
As investigações da Operação Mercadores do Caos miram o que seria, na visão dos promotores, uma quadrilha para fraudar a compra de respiradores para vítimas do novo coronavírus, feita em caráter emergencial sem licitação.
De acordo com os promotores houve um conluio entre pessoas em posição de comando na SES (Secretaria Estadual de Saúde) e empresários para desviar recursos públicos.
Três empresas foram escolhidas para fornecer os equipamentos, em contratos que somam R$ 180 milhões. Contudo, nenhum respirador foi entregue. Na primeira fase da operação, deflagrada no começo de maio, Gabriell Neves, número dois do ex-secretário na pasta, foi preso. A prisão de Edmar é um desdobramento desta investigação.
De acordo com o MP-RJ, Edmar diz desconhecer a existência de um esquema de fraudes para compra dos equipamentos. Na última segunda-feira (6), ele se manteve em silêncio em depoimento por videoconferência para a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), alegando seguir instruções dos seus advogados.
A PRISÃO E O DINHEIRO
Edmar foi preso em sua casa no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos numa outra casa dele, em Itaipava, na região serrana. Foi lá que o montante foi achado.
A Justiça também autorizou a apreensão judicial de bens e valores de Edmar até o valor de R$ 36.922.920,00, equivalente aos recursos desviados em três contratos fraudados para compra dos equipamentos médicos.
Procurada pela reportagem, a defesa de Edmar Santos preferiu não se manifestar nesse momento.