08 de julho de 2026
Cultura

Em busca de liberdade

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Já pensou em raspar o cabelo? Muitas mulheres estão aproveitando o período de quarentena para testar mudanças no visual. Algumas delas, inclusive várias celebridades, resolveram assumir os cabelos grisalhos. Outras decidiram por algo mais radical: passar a máquina nos fios. Os motivos são diversos, como praticidade e o fim da dependência dos salões de beleza - que foram obrigados a fechar em diversas cidades por causa do isolamento social.

Em comum, elas contam que há também uma busca por autoconhecimento e uma vontade de não se sentir refém de padrões de beleza. Um desses exemplos vem da técnica de iluminação cênica Nathalia Dezoti, 34 anos, que resolveu raspar todo o cabelo. "Já tinha essa vontade para ver se era libertador mesmo, e todas essas coisas que as mulheres que já tinham raspado dizem sentir", conta. E foi tudo isso mesmo? Em um primeiro momento, ela afirma que se assustou com a imagem que viu no espelho. "Foi bem difícil."

Com o passar dos dias, porém, Nathalia Dezoti diz que passou a adorar o resultado. "Estou bem feliz, tenho essa sensação de que não preciso do cabelo para me sentir bonita, para me sentir mulher", revela ela, que pretende deixar o visual por um bom tempo.

A atriz Bárbara Borges, 41 anos, também raspou os cabelos. Em foto publicada em seu Instagram, a atriz exibiu aos seguidores seu novo visual: careca. Segundo ela, a ideia foi criar uma nova versão de si mesma, conectada com seu coração, para exercitar e aprofundar o autoconhecimento. "Eu precisava viver essa experiência. Atravessar do medo para a confiança", escreveu. "Romper com o medo de rejeição, das críticas e julgamentos, meus e alheios, e viver o meu sim pra mim", escreveu.

Para a empreendedora Maria Fernanda Teixeira, 27, raspar os fios durante o período de isolamento social foi um exercício de autoconhecimento e de amor-próprio. "Com esse processo tanto do cabelo quanto a quarentena, de ficar mais em casa mesmo e me olhar mais no espelho, eu estou fazendo as pazes com a minha olheira. Eu pensei: Caraca, ela nem é tão horrorosa, tudo bem, ela ficar aí."

Essa não foi a primeira mudança radical dela. Em 2018, Maria Fernanda cortou 40 centímetros de fios (que foram doados) e ficou com o cabelo bem curtinho. "Na época, achava que só podia usar roupas hiper femininas, maquiagem, brinco, para estar feminina", diz. Isso mudou agora. "Eu amo me arrumar, usar maquiagem, só que hoje eu consigo me sentir linda mesmo sem essas coisas."

Na visão dela, "Eu amo me arrumar, usar maquiagem, só que hoje eu consigo me sentir linda mesmo sem essas coisas.". "E não basta ser feminina, a gente tem que se provar feminina o tempo todo. Cortar todo o cabelo é uma quebra disso. É dizer: 'Eu não vou ser feminina do jeito que vocês dizem que eu tenho que ser, eu vou ser feminina do jeito que eu sou", afirma. Teixeira conta ter se inspirado em algumas mulheres que já usavam os cabelos raspados antes do período de isolamento social, como a modelo Cris Paladino.