08 de julho de 2026
Geral

Cancelamento de matrículas ameaça fechar escolas infantis

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Há quase 120 dias de portas fechadas, as escolas de educação infantil da rede particular enfrentam uma grave crise. Com cancelamento em massa de matrículas, muitas têm atravessado os últimos meses com saldo no vermelho e correm o risco de encerrar suas atividades definitivamente.

Quem faz o alerta é Letícya Christofoli de Souza, dona de uma escola em Bauru e uma das líderes de um grupo de aproximadamente 25 empresários do setor, que buscam, juntos, saídas para estas dificuldades. Letícya revela que, desde o início da pandemia, as escolas perderam cerca de 50% dos alunos, o que implica em queda de renda pela metade.

Porém, mesmo com as atividades presenciais interrompidas, os donos seguem arcando com salários dos funcionários e com custos fixos, como aluguel dos prédios. "Ficou muito difícil, mesmo com redução de funcionários, de carga horária de trabalho. Todo mundo foi atingido".

Dois principais fatores tornam a situação ainda mais crítica para as escolas de ensino infantil. Um deles é que a lei brasileira só obriga os pais a matricularem seus filhos na educação formal a partir dos 4 anos de idade. Assim, muitas famílias puderam optar por cancelar os contratos e deixar os pequenos em casa para economizar dinheiro.

Outro ponto desfavorável é que o ensino a distância, para esta faixa etária, é praticamente inviável, o que tornou as escolas infantis menos úteis neste período. "Muitos pais alegam que não conseguem continuar custeando as mensalidades, porque trabalham fora e precisam pagar alguém para ficar em casa com as crianças", detalha Letícya.

DESCONTO

De acordo com ela, a maioria das escolas ofereceu descontos de aproximadamente 20% no valor das mensalidades, referentes ao abatimento dos custos com alimentação. Mesmo assim, em meio aos que mantiveram os pagamentos, a maioria foi de pais de crianças entre 4 e 5 anos.

Na noite desta segunda-feira (13), os donos de escolas fizeram uma reunião para discutir saídas para o problema. A intenção é compor uma associação de unidades de educação infantil e ensino fundamental, como forma de reforçar a legitimidade das reivindicações do grupo junto ao poder público.

Os empresários já encaminharam, ao governo do Estado, um protocolo de retomada das atividades, em que garantem ter todas as condições para o retorno imediato das aulas. "Os prédios já estão prontos, estamos preparados para atender as recomendações de higiene e também de distanciamento, até porque todas as escolas estão com número reduzido de alunos", diz Letícya.

Porém, pelas regras estabelecidas pelo governo estadual até o momento, as aulas presenciais em todos os níveis de ensino das redes pública e particular só deverão ser retomadas a partir de 8 de setembro, se todas as regiões do Estado estiverem há pelo menos 28 dias na fase amarela de flexibilização do Plano São Paulo.