09 de julho de 2026
Cultura

Música bauruense perde o gênio Badê

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Definido pelos amigos e familiares como uma 'lenda viva', um 'gênio', um 'homem honesto e correto', Edevard Viotto, o Mestre Badê, morreu na manhã dessa quarta-feira (15), por volta das 11h, aos 79 anos. O multi-instrumentista, compositor e maestro de grande renome em Bauru e região estava internado desde a última segunda-feira (13), mas não resistiu a um câncer de pescoço.

Viúvo há três anos da companheira, Neyde Costa Viotto, com quem viveu mais de 60 anos de sua vida, Badê deixa dois filhos, Edevard Viotto Júnior e Cezira Helena Viotto, além de três netos e inúmeros órfãos de sua música. 

A filha e cantora Cezira Helena Viotto, mora ao lado da casa em que ele vivia e estava sempre próxima. Segunda ela, ele seguia lúcido e forte. "Em abril, foi descoberto um câncer no pescoço e não havia o que fazer. A cirurgia no local era muito delicada e arriscada que morresse. Ele não soube que tinha o câncer, não comentamos e ele só não se sentiu bem na segunda, quando o internamos à noite. Queríamos que ele tivesse o máximo de conforto. Morreu dormindo", afirma.

TRAJETÓRIA

Nascido em 12 de outubro de 1940, em Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru), ele se tornou devoto de Nossa Senhora Aparecida, a quem a data homenageia. Ainda menino, veio para Bauru em meados dos anos 50.

Ficou conhecido por tocar MPB e dominar, como poucos, vários instrumentos. Iniciou sua trajetória com sertanejo raiz. Era pianista, acordeonista, saxofonista, arranjador e compositor de sambas, valsas, choros, bossas e jazz. Também foi maestro da Banda Marcial Liceu Noroeste, onde foi premiado até internacionalmente.

Na TV Bauru Canal 2, Badê produzia programas musicais e fazia a direção dos mesmos. Além das produções musicais, os conjuntos também realizavam a parte instrumental para os artistas de outras cidades que vinham se apresentar no canal. Com seu piano e arranjos musicais, o maestro conquistou os telespectadores com belas canções da Bossa Nova.

ALGUNS ENCONTROS

Em 2003, a música de Badê junto de Jotha Luiz, "Salve, Bauru" foi vencedora do concurso "Canção para Bauru", realizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura (ouça a música mais abaixo, no podcast). "Ele amava a música e Bauru mais que tudo, sentia-se bauruense. Toda a trajetória dele foi construída aqui. Fez a canção de Bauru, montou a Bauru Jazz Band e tem uma história longa, com diversos artistas. Vai deixar muita saudade", conta a filha.

Em 2015, Badê reencontrou a dupla sertaneja Craveiro e Cravinho ao final do show que a dupla realizou no Sesc Bauru e relembrou seu início musical quando, ainda aos 13 anos, acompanhou com o acordeom os irmãos sertanejos.

FAMÍLIA

Ao lado dos filhos também seguiu com projetos musicais, como o Badê Quarteto em que tocou por anos com o filho, o Badezinho, no trompete, e Cezira nos vocais. "Ele passou as teorias e nos colocou pra estudar desde cedo. A música sempre fez parte de nós. Só tenho coisas boas para falar do meu pai, era muito presente e amoroso para mim e meu irmão", comenta Cezira. "Casou-se bem novo e dedicou sua vida aos filhos e à minha mãe. Era um homem muito honesto que nos deixou exemplos muito bons, ele era muito bom, muito correto e sempre deixava a família em primeiro lugar", finaliza.