Dia 05/07/20, no JC, foi publicado o texto de minha autoria "A falha é das pessoas ou dos sistemas?", onde procurei realçar que a origem do bem e do mal está nas pessoas, pois são elas que tomam a iniciativa de acertar ou errar, e, também, pelo fato de que são elas que criam os sistemas. Em 12/07/20, no JC, foi publicado vários questionamentos ao meu texto, como: "o capitalismo promove a acumulação de riqueza na mão de poucos; atribuir ao socialismo um caráter autoritário é tão ingênuo quanto atribuir à democracia ao capitalismo; a produção capitalista muitas vezes não corresponda aos interesses da maioria; luta de classe está mais viva do que nunca". Estas pessoas só fizeram críticas, algumas até pertinentes, mas, como de hábito, sem propor nenhuma solução corretiva. A solução deles seria o socialismo? Qual?
Algumas críticas não tinham nada a ver com o tema que me propus a escrever, e outras tinham uma certa interface. Como já admiti, o sistema capitalista tem defeitos, porém bem menos que o socialista e, a meu ver, o melhor seria procurar corretivos ao capitalismo, sem eliminá-lo. O pior defeito capitalista, realmente é o acumulo de capital, e, apesar de não ter sido objeto de análise, me preocuparia mais se causasse o monopólio de algum setor. Mas não é como a esquerda insinua que seja, pois, tomando como exemplo Bill Gates que acumulou uma fortuna de U$100 bi pelo seu trabalho em computação, isto também beneficiou muitíssimo mais que este valor (por exemplo: U$50tri), de várias formas, à maior parte do mundo. Se Bill Gates não existisse, também não existiria sua fortuna, bem como os computadores e smartphones, e estaríamos ainda nos tempos das máquinas de escrever e telefones. Nesta hipótese, ninguém seria beneficiado e nem prejudicado, mas o mundo deixaria de ganhar um impulso fantástico. Acho que todo mundo hoje tem seu smartphone e não gostaria de abrir mão dele, não é mesmo! Outro defeito social que existe e não foi citado, é a questão da "herança", que propicia o capital permanecer longo tempo no mesmo clã, onde em "Herança & Desigualdade", 03/07/17 JC, comentei e também fiz sugestões corretivas. Lógico que a "luta de classes" está mais viva do que nunca, pois as manipulações são as mesmas, mas a esquerda atual a usa com o criativo "nóis e eles". Existe sim uma definição formal de capitalismo, mas se costuma mais realçar seus efeitos, como: numa democracia, o capitalismo é um sistema onde há liberdade para a "iniciativa privada" investir em empreendimentos para sociedade (indústrias, lojas, restaurantes, shows...), e a dinâmica toda gerada pela multiplicidade de atividades, cria também uma variedade de empregos e riquezas. Neste sistema, o grande mote é justamente descobrir o que o povo quer, para que ele compre aquele produto. Atribuir ao socialismo um caráter autoritário é uma consequência direta deste sistema ser "não democrático", pois as pessoas são falíveis naturalmente, e ainda mais quando dispõem de um poder absoluto. No socialismo, não há certos cuidados comuns da democracia para se evitar um "superpoder" como, por exemplo, a separação entre "executivo, legislativo e judiciário", acompanhados de um ministério público independente. E se o presidente (executivo) abusar de seu poder, pode sofrer impeachment do congresso, com o aval do judiciário. É claro que a qualidade da democracia depende das pessoas do povo, mas desconheço um País democrático onde não se aprovou na constituinte, por exemplo, a separação dos poderes. Por isso mesmo, aposto mais no "povo" para ter o poder soberano da nação, ao invés de um grupo de pessoas (partido político) que se julgam iluminadas, como ocorre nos Países socialistas. Ao longo do tempo, o povo se revelou uma referência mais estável e mais justa para representar o País, bem melhor do que uma facção que pode ser manipulada e até intimidada. Como exemplo de um País socialista "não democrático", pode-se citar a China, onde o soberano é o partido comunista chinês, e não o povo. E o capitalismo lá existente é controlado pelo governo chinês, diferente do capitalismo numa democracia, que é controlado pela constituição. Para conhecer bem o "capitalismo chinês", basta assistir ao documentário "Indústria Americana" (ganhador do Oscar 2020), onde numa empresa chinesa nos EUA, os empregados chineses e americanos entram em choque cultural, uma vez que os chineses estão acostumados a trabalhar: 12 horas por dia, com 2 dias de folga por mês, e sem ganhos nas horas extras.
No texto "O jeito esquerdista de ser", 22/03/20, JC, apresentei um "caminho para a evolução social" diferente do socialismo, onde predomina a pobreza e a ditadura. Destaquei cerca de 50 países (Noruega, Japão, Canadá, Áustria...) todos capitalistas e democráticos, que conseguiram um bom equilíbrio entre a desigualdade social e a distribuição da riqueza. Lógico que muitas pessoas, adultas até, não entendem direito as virtudes do capitalismo perante o socialismo, em especial nos quesitos liberdade e riqueza. Mas, para se ter uma ideia mais real das 2 alternativas, é só verificar as cenas gravadas da queda do muro de Berlim, em 1989, das pessoas desesperadas fugindo de Berlim oriental (socialista) para Berlim ocidental (capitalista).
Como é também fácil conferir, a desigualdade social não é um produto do capitalismo, pois ela já existia bem antes dele, como nos tempos feudais dos reis e rainhas. Provavelmente, a desigualdade começou há cerca de 11 mil anos atrás, com o advento da agricultura. Naquela época, como a população global ainda era pequena mas estava em franco crescimento, algumas pessoas tiveram a percepção de plantar: escolheram uma porção de terra e depois a protegeram para evitar invasões. Ai se tem também o início da propriedade privada e começa a se destacar uma diferença entre as pessoas: as que tiveram esta percepção, plantaram e no futuro se beneficiaram, e as que continuaram a perambular, ficando a mercê do acaso da vida. Esta é a natureza humana, e o capitalismo também é consequência dela, pois nasceu espontaneamente num ambiente de liberdade, onde a ideia básica era criar algo útil aos outros, e que propiciasse também algum lucro. Ironicamente, na Revolução Industrial de 200 anos atrás, onde as máquinas promoveram um barateamento das roupas e alimentos, foi o próprio capitalismo que deu um salto de qualidade na vida dos pobres, que passaram a viver mais e melhor. Reconheço que, para muitos que vivem na militância diária da esquerda, aceitar tudo isto como "verdades" pode ser até assustador, pois pode destruir sonhos e discursos de uma vida.