08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um dedo de prosa

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

Fim de tarde, com sua enxada sobre os ombros, lá vem Justino, depois de mais um dia de labuta na roça. Antes de entrar em casa, senta-se em um dos degraus da escada e começa a fazer um cigarrinho de palha. Com seu canivete, vai esfarelando o fumo e cortando a palha, quando avista seu compadre Faustino, passando próximo da porteira. Se achegue compadre! Vamos trocar um dedo de prosa, enquanto eu passo um cafezinho no coador. Amélia está no quintal, estendendo as roupas no varal. O compadre tem ouvido falar dessa epidemia, que vem matando pessoas na cidade? Tenho sim compadre! Dizem que para se proteger, é preciso preservar o isolamento, ficar em quarentena e manter distância social. Se for preciso sair de casa, tem que usar máscara. Ainda bem que estamos isolados neste fim de mundo, sem contato com ninguém. Mas o que o compadre acha disso tudo? Olha, já ouvi falar e presenciei tantas epidemias, que estou começando a acreditar que uma delas, dependendo da sua complexidade, pode exterminar com a humanidade, se não descobrirem uma vacina. A realidade compadre, é que o homem agindo dessa forma irracional, se torna o próprio espectro das epidemias. Não é de hoje que já vem aniquilando com o planeta terra, através de seus atos irresponsáveis. Colocando em risco a si próprio e a população de um modo geral. É compadre, você tem razão! O homem se acha um semideus.

Dizem que estas epidemias, que surgem de tempos em tempos, pegando todos desprevenidos, é conseqüência da falta de higiene generalizada. Também do hábito que alguns povos têm, em consumir a carne de qualquer tipo de animal. Sem falar do costume em se criar animais próximo ou dentro da própria casa, como porcos e aves.

Sabe compadre, teve uma epidemia denominada de peste bubônica, que era transmitida ao ser humano por pulgas, que infestavam ratos e outros roedores. Segundo relatos, exterminou com 15% da população mundial da época. Dizem que esse tal de coronavírus pode ter relação com os morcegos, que infesta a outros animais, transmitindo assim, o vírus para os seres humanos. Que horror compadre!

Vamos dar uma pausa neste assunto triste? Que tal tomarmos o cafezinho que acabei de tirar, saboreando um gostoso bolo de fubá, um pãozinho caseiro com manteiga e um bom pedaço de queijo. Tudo fresquinho, feito aqui mesmo na fazenda. Distante da epidemia, da poluição e dos agrotóxicos.

Falando um pouco em política, que não difere muito da pandemia. O compadre sabe que este ano tem eleição? Nem me fale! Em dia de votação tenho até diarréia, em pensar que vou ter que escolher e votar em um candidato, mesmo sabendo que os políticos não querem saber do povo. Como dizia uma ex-ministra compadre - O povo é apenas um detalhe! A conversa com vosmecê tá boa, mas tenho que ir embora. Adélia já deve estar com o fogão à lenha acesso, preparando o jantar e debruçada na janela à minha espera.

Até mais ver, compadre Justino! Até mais ver, compadre Faustino!...