Novamente, as regras para funcionamento do comércio e dos serviços irão mudar em Bauru, resultado da liminar que derrubou a Lei do Comércio, publicada na última sexta-feira (10) e que durou pouco mais de uma semana. Esse 'efeito sanfona' da normatização para o combate ao coronavírus deixa os empresários de todos os tamanhos atordoados.
Pior do que restringir vendas e ganhos, a imprevisibilidade, que impede qualquer planejamento, de curto e médio prazos, tem deixado muitos comerciantes à beira de um ataque de nervos, para não falar naqueles que já fecharam seus negócios. O vírus e a doença são ainda incertos, mas a gestão da crise em todas as esferas de governo também tem sido por demais imprevisível.
Em razão disso, conforme menciona o consultor Manoel Messias Mello, que é especialista em planejamento, estratégia e liderança, os empresários acabam sendo duplamente penalizados. "A imprevisibilidade obriga os comerciantes a tomarem decisões muito rápidas e esta rapidez impede que estas tomadas de decisão tenham consistência. Fica mais difícil escolher caminhos que garantam sustentabilidade ao negócio, em um momento que, por si só, já não é fácil", analisa ele, que é sócio-diretor na MO Consult.
Messias Mello lamenta que o contingenciamento desta crise sanitária histórica venha sendo comprometido por componentes políticos e marcado pela falta de consenso entre os poderes constituídos, o que agrava um cenário já bastante permeado por incertezas.
Conforme pontua o economista Reinaldo Cafeo, em meio a esta instabilidade, muitos donos de lojas, bares e restaurantes acabam despendendo recursos para adquirir mercadorias e, diante da suspensão das atividades poucos dias depois, amargam novas perdas com produtos que não serão vendidos imediatamente.
"Este 'abre e fecha' é o pior dos mundos. Alguns lojistas que comercializam bens de consumo duráveis têm a possibilidade de administrar um pouco mais, mas pode ser que um produto ou outro falte. Já os que trabalham com produtos perecíveis têm uma programação de compra mais curta e, portanto, mais dificuldade para a gestão do estoque, acarretando inclusive em desperdício de itens", comenta o economista.
FRAGILIDADE
Ainda de acordo com ele, a necessidade de um ambiente de negócios mais previsível ser estabelecido se faz urgente, até porque, neste momento da pandemia, muitos empresários já não possuem capital de giro. "Aquela reserva que, eventualmente, eles possuíam foi usada para que se sustentassem até aqui. Este novo tombo, para estes empresários que estão mais fragilizados, pode ser fatal", acrescenta Cafeo, salientando que o constante afastamento e alocação de funcionários também tende a gerar deficiências na produtividade.
Messias Mello explica que todo gerenciamento de crise, seja na esfera pública ou privada, demanda a adoção de três medidas fundamentais: conter (ou seja, impedir o avanço da crise), isolar (tratá-la pontualmente) e negociar. "Em relação a esta última estratégia, considerando o País como um todo, é necessário ter consciência de que é preciso mitigar os riscos à população, mas também os riscos relacionados à economia", acrescenta.
Para os empresários, o especialista recomenda, neste momento, a redução de despesas e a utilização de recursos apenas para as demandas que forem importantes e urgentes. Outra dica é negociar prazos e condições de pagamento com os fornecedores.