Em 29 de julho de 1920, nascia Domício Silveira. Prestes a completar 100 anos, o coronel reformado coleciona incontáveis lembranças, fato que o motivou a lançar o seu primeiro livro, intitulado "Memórias de um Oficial da Polícia Militar", em 2019. Ele, que vive no Residencial Geriátrico Renaissance, em Bauru, chegará ao centenário no próximo dia 29.
Como possui dificuldades para ouvir e as visitas às casas de repouso permanecem suspensas, a reportagem conversou com a sua filha, a dentista aposentada Ilka Maria Pantaleão Silveira Bonachela, de 62 anos.
De acordo com ela, o pai vive no Renaissance desde 2016. "Aos 96 anos, ele começou a apresentar diversos problemas de saúde. Para se ter ideia, a sua glicemia chegou a 920 e o meu pai nunca teve diabetes. Logo, precisava de cuidados especiais, que, dificilmente, receberia em casa", explica.
Ainda segundo Ilka, Domício melhorou e, hoje, o único empecilho que enfrenta é a surdez. "Só que, para voltar para casa, ele deveria arranjar um acompanhante. O meu pai, então, preferiu ficar no residencial", relata.
Conforme o JC já noticiou, o aposentando nasceu em Santa Adélia, mas ganhou o título de Cidadão Bauruense. Em seu livro, ele relata trechos da própria vida, misturados com canções e poemas que mais admira.
Em 1946, Domício se casou com Odette Pantaleão Silveira, com quem viveu por quase seis décadas, uma vez que, em 2002, ela faleceu.
Aos 15 anos, ele entrou para a polícia. Depois que se formou, o Quartel General o designou para Bauru, que sediava o 4.º Batalhão de Caçadores - hoje, 4.º BPM-I -, como 1.º tenente.
Na época, Domício comandava a 1.ª Companhia, que ia de Fernão Dias até Panorama. Paralelamente, ele fez parte da primeira turma de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE), onde estudou entre 1953 e 1957.
PROMOÇÃO
Quando conquistou o posto de major, foi promovido a coronel e passou a atuar no 9.º Batalhão, em São Paulo. Lá, ficou até se aposentar, em 1964. Em seguida, retornou a Bauru.
Ainda na Capital, o coronel aproveitava todo o tempo livre para estudar e tocar violino. Em 1947, terminou o curso de Educação Física pela Faculdade de Educação Física de São Paulo.
Já em Bauru, o aposentado assumiu a direção administrativa da ITE tão logo parou de trabalhar. Lá, ele ficou até 1972. O coronel reformado também lecionou Esgrima.
Atualmente, ele mora na clínica e, antes da pandemia, recebia visitas diárias da sua família, que prepara uma surpresa para o aniversário do aposentando. "Hoje, nós nos falamos todos os dias, mas por ligação de vídeo", revela a filha.
Com a falecida esposa, Domício teve dois filhos (Ilka e Marcos), quatro netos (Gustavo, Rafael, Lisandra e Fábio) e quatro bisnetos (Natália, Beatriz, Gabriel e Rafaela).