O jornalista Milton Bill Oliveira é daqueles profissionais que deixou a sua marca de talento no ramo das artes visuais na imprensa bauruense. O leitor até desconhece o que seja diagramação, mas ele se depara com ela nas páginas do jornal, justamente porque é o que facilita na leitura das publicações. É uma arte que muitas vezes fica desconhecida do público, geralmente só o autor de texto e fotos são citados no jornal.
Fã dos Beatles, Bill falava pouco e tinha uma sabedoria dos grandes mestres. Em Bauru, trabalhou nas principais publicações como Jornal da Cidade, Diário de Bauru e Revista Atenção. Na década de 70, foi diagramador do Super News, publicação semanal do JC distribuída nos ônibus do Prata, cujo jornalista em início de carreira foi Carlos Nascimento, posteriormente repórter da Rede Globo e atualmente apresentador do SBT.
A história do Diário de Bauru também está ligada a Bill. Lá ele cuidou da arte visual do periódico. É do tempo da diagramação raiz: tesoura, cola, letra set e fotolito. Essa limitação gráfica da época nunca impediu de mostrar o talento. A capa do Diário chegou a ser no mesmo estilo do Jornal da Tarde, do Estadão, com grandes vazios, títulos e fotos grandes, nada de tudo quadradinho.
Depois Bill voltou para o Jornal da Cidade, onde já havia trabalhado antes do Diário, e foi o responsável pelas mais belas diagramações. Bons tempos do JC Cultura, um suplemento cultural que inovou no visual.
Sua habilidade gráfica esteve estampada em inúmeros suplementos especiais (o do aniversário da cidade até hoje é inovador), o caderno de Turismo, AutoMercado e o Bauru Ilustrado, do Luciano Dias Pires. A este último, não resta dúvida que Bill garantiu um visual que se coaduna com a intenção de contar os principais fatos do passado com muita foto em formato tabloide, fácil de folhear e ler.
Bill diagramava as páginas como se fosse ourives ao lapidar uma pedra preciosa. Criativo e autodidata, em sua mesa cheia de papéis sempre estavam exemplares de jornais e revistas brasileiros e do exterior. Gostava de conhecer outros estilos para adaptá-los e aperfeiçoar ao diagramar os cadernos no JC. E olha que Bill tinha facilidade para aprender: do sistema muito manual de diagramação dos idos dos anos 80 ele conviveu e aprendeu rápido a computação gráfica e a dominava bem.
Apesar do seu estilo calado, era pessoa afável e chegou a ser homenageado em vida no Bar do Português com espaço reservado. Tinha muitos amigos e, infelizmente, na última sexta-feira Bill deixou todos tristes com a notícia do seu falecimento. Mas em vida foi de grande caráter e de muita competência profissional. E registro aqui uma frase da Joh Silva, que trabalha no jornal: "O mundo perdeu uma pessoa maravilhosa, mas, em compensação, o céu ganhou uma estrela que com certeza vai brilhar melhor do que aqui".