09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vou desenhar para o Cafeo

Marcos Paulo Rezende
| Tempo de leitura: 2 min

Em 2016 o economista Reinaldo Cafeo, em suas colunas, fazia seguidas defesas da aprovação da famigerada PEC do Fim do Mundo, que congelava os gastos públicos por 20 anos no Brasil, que precarizaria ainda mais os serviços públicos em nome da farra da rolagem da dívida pública. Depois, em 2018, abraçou a eleição de Jair Bolsonaro e o projeto neoliberal do Chicago Boy Paulo Guedes, mesmo com todo o discurso fascista do Jair e esquecendo que economia antes de ser exatas ela precisa ser social. Defendeu a Reforma da Previdência, que atacava ainda mais os trabalhadores e mantinha os privilégios de uma elite financeira(os tais "agentes econômicos" que tanto defende), repetindo o "mantra" do Guedes de que a reforma geraria milhões de novos empregos e que o novo governo manteria o dólar na casa dos 3 reais e poucos, além de uma recuperação econômica. Logo se viu o contrário: a precarização acelerada do trabalho, disparada do dólar e uma recessão econômica para ser a pior do Brasil republicano. Entre tantos desastres e falta de decoro do Jair, chega uma pandemia para empurrar de vez para um caos social, tivemos todo o tempo para preparar o país e rapidamente sair dessa assim como outros países fizeram. Mas o que fez o seu Jair? Negou a ciência, estabeleceu um guerra com os estados, estamos há mais de dois meses sem ministro da Saúde, passou a receitar medicamento inútil para a população, promoveu total desordem transformando o Brasil em pária mundial. Não surpreende os países governados por Jair e Trump estarem no topo da desgraça pandêmica. Não socorreu as pequenas e médias empresas mas deu R$ 1,2 trilhão aos bancos, apostou numa política genocida.

Agora o Cafeo que lavar as mãos e empurrar tudo nas costas da Prefeitura de Bauru. Não que o prefeito não tenha que ser cobrado, mas o caos instalado tem nome: Jair Bolsonaro, apoiado pelo Cafeo, e onde a classe patronal que ele representa votou em peso no projeto de desmonte estatal do Jair.

Apostou no cavalo errado, Cafeo. Pede autocrítica ao prefeito mas não faz a sua, e desde o início da pandemia vem junto do outro representante patronal, Walace Sampaio, promovendo desinformação e tumultuando as ações sanitárias. É inacreditável que na maior crise sanitária ao invés de ver nossos cientistas locais como protagonistas, vemos Walace e Cafeo querendo ditar os rumos da crise, sendo que nem as previsões econômicas (tipo astrólogo de fim de ano que não acerta nada pro ano seguinte) foram no sentido dito pelo economista que já tentou justificar a crise com o U, V, W e vai gastar o alfabeto e não encontrar uma letra para explicar o buraco que nos enfiaram ao apostar as fichas no Jair.

Se não quer fazer um mea culpa pela catástrofe que o seu Jair nos enfiou, não critique quem tenta fazer o mínimo para contornar esse caos. Ficou claro ou é preciso fazer novo desenho?

Mude já, mude para melhor!