Londres - Em meio à crise diplomática entre Washington e Pequim, dois aviões militares americanos foram avistados no domingo (26) a menos de 100 km de Xangai, a menor distância registrada nos últimos anos.
Um avião de vigilância eletrônica e guerra antissubmarino P-8A e uma aeronave de reconhecimento EP-3E voaram pelo estreito de Taiwan no domingo, próximo de Zhejiang e Fujian. Foi o 12º dia em sequência em que aviões espiões americanos se aproximam da costa chinesa.
O voo ocorreu na véspera do fechamento do consulado americano em Chengdu, medida retaliatória determinada pelo governo chinês depois de ação igual feita pela administração Donald Trump contra a representação do país em Houston.
Os americanos dizem que o consulado chinês era um centro de espionagem, provavelmente voltado a roubar segredos sobre o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. A China chamou a acusação de absurda.
CRESCIMENTO
A atividade militar na região tem crescido. Segundo o centro Iniciativa de Investigação de Situação Estratégica do Mar do Sul da China, da Universidade de Pequim, o P-8A chegou a 76,5 km da costa chinesa e o EP-3E, a 106 km.
Os aparelhos voaram em coordenação aparente com o USS Rafael Peralta, um destróier na região. Segundo o centro, as operações aeronavais americanas no mar do Sul da China e no estreito de Taiwan estão nos maiores níveis da história recente.
Só neste ano, foram seis operações de liberdade de navegação, nas quais navios de guerra circulam em águas internacionais que a China afirma serem suas -Pequim clama controle de 85% do mar do Sul da China e instalou bases em recifes e ilhas artificiais em toda a região, que tem o tamanho da Índia.
Em todo o ano passado, foram 8 operações, ante 6 em 2018 e 4 em 2017 -quando Trump assumiu e lançou as bases de sua Guerra Fria 2.0 com a China, na forma de disputas comerciais e tecnológicas, mas que agora avançaram para o campo político.
Só neste ano, os países se estranharam sobre a repressão chinesa contra a autonomia de Hong Kong, o manejo da pandemia do novo coronavírus, a presença da chinesa Huawei em redes de 5G no Ocidente e o domínio do mar do Sul da China.