08 de julho de 2026
Saúde

Chama invisível


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Em alguns centros de tratamentos de queimados, esses ferimentos já respondem por até 40% das internações, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras. A taxa de óbito varia entre 5% e 8% dos casos. Na Bahia, o centro do Hospital Geral do Estado, o álcool 70% representa hoje a maior causa das internações por queimaduras. Até 2019, a água quente liderava, seguida de um conjunto de líquidos inflamáveis, como etanol e gasolina. As internações passaram de três casos em março para 17 neste mês. O cirurgião Marcus Vinícius Barroso, coordenador do centro, diz que chegaram muitos pacientes com graves queimaduras em razão do uso do álcool em gel. Um deles foi um jovem que passou o produto nas mãos, nos braços e na roupa e foi acender uma churrasqueira. "A roupa dele pegou fogo. Terá sequelas para o resto da vida." Para o médico, as pessoas automatizaram o uso do álcool em gel em casa e se esquecem que ele é um produto inflamável. Para o cirurgião plástico Jayme Farina Júnior, coordenador da unidade de queimados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, uma peculiaridade do álcool em gel é a chama ser praticamente invisível. "A pessoa só percebe quando a queimadura já está ocorrendo." Na unidade, cinco dos seis leitos disponíveis para internação chegaram a ficar ocupados com vítimas de queimaduras por álcool 70% a partir de março. Antes da pandemia, apenas um teve esse fim. Os médicos se preocupam com as inovações envolvendo o álcool em gel. Barroso, da Bahia, diz que viu em supermercados embalagem do álcool em gel com spray pressurizado. "É um lança-chamas!" Adorno, da SBQ, conta que existem escolas no país já planejando instalar totens com álcool em gel no retorno às aulas. "É totalmente condenável. É melhor instalar mais pias com água e sabão e educar as crianças a lavarem as mãos."