Washington - O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, negou nesta segunda-feira (3) que tenha defendido junto a autoridades brasileiras que a derrubada de barreiras comerciais ao etanol americano beneficiará a reeleição do presidente Donald Trump.
"Qualquer interpretação de que minha defesa de interesses comerciais de longa data, durante um ano eleitoral, foi uma tentativa para beneficiar um candidato presidencial específico é simplesmente incorreta", disse Chapman. Autoridades americanas argumentam que o governo Jair Bolsonaro melhoraria as chances de reeleição de Trump se eliminar uma sobretaxa ao etanol americano importado.
EXPLICAÇÃO FORMAL
Na semana passada, após o tema ser noticiado, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, enviou carta à embaixada em Brasília exigindo explicações.
Eliot Engle, presidente do comitê congressual, disse que o uso de argumentos políticos e eleitorais para a defesa de um objetivo comercial seria "inapropriado para um embaixador americano" e uma potencial violação de leis dos EUA.
"Em nenhum momento solicitei aos oficiais brasileiros que tomassem quaisquer medidas em apoio a qualquer candidato presidencial [americano]", defendeu-se Chapman, no comunicado divulgado nesta segunda.
CULPA DA IMPRENSA
Chapman alega que publicações da imprensa "descaracterizam" assuntos discutidos com autoridades brasileiras. "O meu papel nessas reuniões foi continuar a defender o comércio aberto e a cooperação em questões comerciais", afirmou.
Segundo relatos feitos à reportagem, os americanos trabalham pelo fim de uma cota de importação anual sem tarifa de 750 milhões litros de etanol -o que ultrapassa esse volume paga uma taxa de 20%.