08 de julho de 2026
Articulistas

Ser humano e "Ser Humano"

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 3 min

Todos nós somos seres humanos desde a concepção e do ponto de vista, semelhantes a Deus. Com o tempo, recebemos educação em diferentes assuntos e daí nos humanizamos ao longo desse processo. Fico perplexo que meus queridos sete netos, quando tinham aproximadamente 1 ano, reagiam ao verem que alguma criança se aproximava e tomava o brinquedo dele. Quem ensinou esse egoísmo? Atavismo? Manifestações, posteriormente, de ciúmes do irmão mais novo.

E poderia citar outras situações, que com o tempo e nossas intervenções influíram em seus comportamentos. Mas tornar-se além de ser humano e ter um coração que transmita "Ser Humano", ou seja, agir com humanidade com o próximo, temos exemplos diários, vendo pela mídia, que muitos tornam-se verdadeiros monstros, que incrédulos, temos dificuldade de entender os motivos que os levaram a cometer essas barbáries. Somos preconceituosos, ou seja, formulamos um "pré-conceito", isso mesmo, um conceito prévio, mesmo sem estar inteirado da situação.

Em relato bíblico, sobre a parábola do Bom Samaritano, Cristo mostra como um verdadeiro "pré-conceito cultural" de inimigo de uma comunidade, contrapõe-se com a atitude de coração humanizado e solidário com aquele que foi ferido e que várias pessoas passaram ao largo anteriormente, mudando seu caminho, inclusive um religioso, que não tiveram o sentimento nobre de "Ser Humano" e dar o devido tratamento humanitário àquele que mais precisava naquele momento. Nesse tempo atual, com tanta polarização, às vezes das mais absurdas, vemos a falta de solidariedade que mesmo nessa brutal crise, ainda não sensibilizam as pessoas. Todos os dias, vemos noticias esporádicas de alguns guerreiros, lutando para arrecadar cestas básicas, ajudas financeiras e outras criatividades, com o objetivo de ajudar os milhares de necessitados, que essa pandemia os transformou. Ser Humano, com as dores dos nossos semelhantes, não se constitui apenas em dar bens. Muitas vezes emprestar nossos ouvidos às lamentações pode ser uma forma de expressar nossa humanidade, sem querer se posicionar como conselheiro. A pessoa quer apenas extravasar sua angústia. Ouvi num noticiário local que há uma semana, foram registradas 6 ocorrências de tentativas de suicídio.

O que leva uma pessoa a esse último ato desesperador? Só de conversar com agentes voluntários do Centro de Valorização da Vida, dá para entender a necessidade que todos nós temos de "por para fora" e alguém escutar apenas. Gostamos de falar e não gostamos de ouvir. O quê podemos dizer para o futuro jovem que busca progredir nos estudos? O quê dizer para um pai de família que foi despedido e não tem nesse momento, oportunidade de ter um emprego? E para o industrial ou comerciante que encerrou suas atividades por não suportar todos esses meses de "engessamento" de sua atividade? E das atitudes dos eleitos politicamente como representantes da sociedade?

Velhos ditados: "O trabalho enobrece o homem", "A ociosidade é ferramenta do diabo", dentre outros, são provas de que "Ser Humano", compartilhar naquilo que está ao alcance de cada um de nós, poderá ser uma forma importante de demonstrar solidariedade, humanidade com aqueles de menor sorte, nesse momento, do que a nossa sorte.

Agradeçamos diariamente a Deus, os que ainda são privilegiados. Vamos refletir como podemos ser melhores diariamente, no nosso árduo aperfeiçoamento de "Ser Humano".

O autor é colaborador de Opinião