10 de julho de 2026
Internacional

Porto de Beirute representa um significado histórico para o Brasil

FolhaPress
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Washington  - A costa de Beirute faz parte de uma geografia sentimental brasileira.Foram dos portos dessa cidade que os libaneses começaram a embarcar para o Brasil em torno de 1870. Foi em Beirute, também, que Dom Pedro 2º desembarcou no início de sua viagem pela chamada Terra Santa em 1876, passando por Jerusalém e Damasco.

VIDA POLÍTICA

O porto de Beirute, renovado e ampliado em 1887, foi familiar para os antepassados de diversos políticos brasileiros.

Nasceram no Líbano pessoas como Salim Farah Maluf, Khalil Haddad e Nakhul Temer, os pais de Paulo Maluf, Fernando Haddad (PT) e Michel Temer (MDB), respectivamente. Há descendentes de árabes em outras áreas: o cantor Fagner, o jornalista Guga Chacra e o autor Milton Hatoum.

20 MIL BRASILEIROS 

Não há um número exato de quantos libaneses migraram para o Brasil. Uma estimativa corrente é de que 150 mil pessoas vieram do que são hoje o Líbano e a Síria. Uma pesquisa divulgada em julho pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira diz que há 12 milhões de brasileiros de origem árabe. O cálculo foi feito pelo Ibope. 

Segundo o Itamaraty, cerca de 20 mil brasileiros moram no Líbano atualmente. A maior parte deles reside no vale do Beqaa ?que fica a 30 km de Beirute. Há vilarejos nessa região em que o português é uma língua corrente.

Os libaneses migraram em massa para o Brasil saindo do que era, naquela época, o Império Otomano. Fugiam da pobreza e da fome, depois do colapso do mercado da seda e da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Libaneses também escapavam, em casos específicos, de atritos religiosos e das autoridades locais, que escanteavam súditos cristãos.

Era um momento de grande ansiedade e de gigantes expectativas. Falava-se nos tesouros escondidos no Brasil, um país em que todo o mundo poderia enriquecer.

De fato alguns prosperaram. Caminharam pelo país mascateando com uma caixa nas costas e montaram lojinhas na rua 25 de Março. Poucos, como a família Jafet, abriram indústrias. Muitos, é claro, labutaram a vida toda sem enriquecer.

HOSPITAL

Uma das instituições mais emblemáticas dessa diáspora é o Hospital Sírio-Libanês, idealizado por Adma Jafet ainda nos anos 1920 e inaugurado oficialmente em 1965. Há, ainda, os históricos clubes paulistanos, como o Homs e o Monte Líbano.