09 de julho de 2026
Internacional

Médicos levam pele de tilápia para tratar de queimaduras no Líbano

FolhaPress
| Tempo de leitura: 1 min

Fortaleza  - Um grupo de seis médicos sairá do Rio de Janeiro até Beirute, neste domingo (9), para auxiliar no tratamento dos mais de 5.000 feridos após a grande explosão na zona portuária da capital libanesa.

Além de medicamentos e insumos, a equipe levará cerca de 30 mil cm² de pele de tilápia para tratar os ferimentos causados por queimaduras. O método pioneiro existe no Brasil desde 2014 e foi desenvolvido por pesquisadores da UFC (Universidade Federal do Ceará), em Fortaleza.

O estudo aponta eficácia do método em queimaduras de segundo e terceiro graus e em lesões, agindo como um "curativo biológico" na cicatrização.

De acordo com o cirurgião plástico Edmar Maciel, um dos criadores da técnica, a pele de tilápia é utilizada hoje em pesquisas e no tratamento de queimaduras em sete estados brasileiros, além de países como Colômbia, Estados Unidos, Canadá, Holanda e Portugal.

Nos EUA, por exemplo, o peixe foi usado para tratar ursos feridos em um incêndio na Califórnia, em 2018. Um estudo da Nasa, o programa espacial americano, chegou a utilizar o item para testes em foguetes.

"No Brasil, para tratar queimaduras, usamos geralmente um creme com efeito de 24 horas. Todos os dias é preciso trocar o curativo, tirar o creme, enxaguar a área queimada, colocar o creme e fazer um novo curativo", diz Edmar, que preside o Instituto de Apoio ao Queimado. "Acaba sendo muito doloroso."

Já a pele do peixe, em contato com a queimadura durante vários dias, evita as dores que resultam na necessidade de trocar o curativo.

Um carregamento com as peles sairá do laboratório da UFC para o Rio e segue com os médicos até Beirute. "A intenção é que o grupo permaneça em território libanês por 15 dias, com apoio do governo local", explica Jorge Derze, subsecretário de Saúde do Rio de Janeiro.